quarta-feira, maio 30, 2007

Dia Mundial da Energia

Para assinalar o Dia Mundial de Energia, a ERSE disponibiliza a partir de hoje um simulador de potência contratada com o objectivo de ajudar os consumidores a reduzir a factura. E aponta que os consumidores domésticos portugueses pagam mais 18 por cento do que os espanhóis.
O simulador disponibilizado pela ERSE, em www.erse.pt, permite a cada consumidor estimar a potência a contratar com o seu fornecedor de electricidade mediante o conhecimento dos equipamentos eléctricos que possui em casa e da sua utilização habitual.
As previsões apontam que o consumo mundial de energia vai crescer 57% entre 2004 a 2030, sobretudo através da procura dos países fora da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE). Apesar dos elevados preços do petróleo e do gás, o ’Energy Outlook 2007’ refere que a procura mundial de energia vai continuar a aumentar.
É urgente todos participarmos na diminuição do consumo de energia com "pequenos grandes" actos, verificando-se benefícios em termos AMBIENTAIS e ECONÓMICOS.
Assim aqui ficam algumas dicas importantes:
DESCUBRA FORMAS FÁCEIS DE POUPAR DINHEIRO NA LUZ
Como poderá ser eficiente e poupar no uso que faz de electricidade, que ainda o permitirá gastar menos dinheiro?
Para começar, privilegie as soluções de iluminação baseadas em lâmpadas fluorescentes, quer as clássicas de tubos, quer as compactas. Uma lâmpada de baixo consumo de 20 Watts (W) proporciona a mesma luz que uma lâmpada convencional de 100 W, sendo que, ao final de um ano, terá uma poupança de cerca de 3 euros por cada hora diária de utilização.
Outra atitude que faz toda a diferença é desligar as luzes quando deixa de utilizar os espaços.
Utilize racionalmente os dispositivos de protecção de luz das janelas, como estores ou persianas, de modo a evitar deixar aquecer desnecessariamente os espaços no Verão. No entanto, no Inverno, consoante a exposição solar, a situação pode ser a inversa. Consome mais energia e é mais caro refrigerar ou aquecer um espaço do que iluminá-lo.
Se não conseguir evitar a utilização de lâmpadas muito potentes, use reguladores de intensidade nesses dispositivos de iluminação.
Os abat-jours muito opacos são outro tipo de iluminação que podem sair caros, já que obrigam a utilização desnecessária de lâmpadas mais potentes.
Um conselho já conhecido é o isolamento dos espaços onde instalar fontes de aquecimento ou arrefecimento localizadas, por exemplo, caloríficos e ar condicionado, fechando e calafetando devidamente portas e janelas.
USO INTELIGENTE DOS ELECTRODOMÉSTICOS PODE CORTAR GASTOS COM ELECTRICIDADE
Na utilização de equipamentos informáticos, algumas dicas podem ajudá-lo a poupar e bastante.
A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) recomenda que compre aqueles que tenham com sistemas de poupança de energia «Energy Star» e desligue-os sempre que preveja ausências de utilização superiores a 30 minutos.
Relativamente aos aparelhos electrodomésticos, desligue-os no interruptor em vez de os deixar em «stand by». Se possível, ligue alguns equipamentos como televisão, vídeo, DVD ou equipamentos de som, a uma base ligação múltipla com interruptor. Assim, ao desligar esse interruptor vai apagar todos os equipamentos e poupar mais de 40 euros por ano.
A ERSE recomenda também que o equipamento de ar condicionado esteja sempre a uma temperatura de 22 a 24ºC.
Poupanças de 30% com frigorífico - Quando falamos dos electrodomésticos, as poupanças também podem ser significativas. Experimente usar, sempre que possível, os electrodomésticos com etiquetagem de energia da classe A+ ou A++. Aqui, vai também ganhar se o frigorifico for colocado num lugar fresco e ventilado e longe de possíveis fontes de calor (fogão, forno e radiação solar). Ajuste o termóstato de forma a manter uma temperatura de 5º no compartimento de refrigeração e de menos 18º no compartimento de congelação. Descongele antes que a capa de gelo alcance os 3 milímetros (mm) de espessura e vai conseguir poupanças de energia de cerca de 30%. Pode ainda limpar uma vez por ano a parte traseira do equipamento e abra a porta o menos possível, além de fechá-la assim que possível.
Em relação à máquina de lavar e/ou secar a roupa, procure adquirir equipamentos bitérmicos (puxadas de água independentes: uma para a água fria e outra para a água quente) que utilizam a água pré-aquecida por outras fontes mais eficientes (esquentador ou caldeira a gás). Procure trabalhar sempre com a carga máxima e use os programas de baixa temperatura (excepto quando a roupa está muito suja). Centrifugar gasta ainda muito menos energia para secar a roupa do que utilizar a opção de secagem.
Já com a máquina de lavar a loiça, deve seleccionar o tamanho do equipamento em função das suas necessidades e procure trabalhar sempre com a carga máxima. Também manter sempre cheios os depósitos de sal e abrilhantador vão permitir-lhe gastar menos dinheiro porque reduzem o consumo de energia na lavagem e secagem.
E menos 20% com forno - Com o forno, abra-o só se necessário porque cada vez que o faz está a ter uma perda energética de pelo menos 20%. Procure aproveitar ao máximo a capacidade do forno e cozinhe, se possível, de uma só vez o maior número de alimentos. Ao contrário do que pode pensar, não é necessário aquecer previamente o forno para cozinhados superiores a 1 hora. Apague também o forno um pouco antes de finalizar a confecção uma vez que o calor residual será suficiente para acabar o processo.
Sobre os pequenos electrodomésticos (ferro de passar, torradeira, aspirador), há maneiras eficientes de os utilizar. Por exemplo, não os deixar ligados se vai interromper a tarefa e aproveitar o calor residual do ferro para passar alguma quantidade de roupa.
Quanto ao esquentador, em caso de ausências prolongadas, desligue-o. Para além de poupar gás, evita a acumulação de resíduos da combustão e reduz a emissão de gases com efeito de estufa.

Um outro ponto importante é verificar a sua factura de electricidade: analise se a potência contratada é adequada ao consumo real da instalação ou se poderá reduzi-la. Sites como o da própria ERSE, DECO ou da EDP permitem fazê-lo. Por fim, confirme se os seus consumos privilegiam horários que beneficiariam da tarifa bi-horária, em que a energia é mais barata nas horas de vazio (à noite e aos fins de semana) e opte por esta, em caso afirmativo.

SAIBA COMO PODE GASTAR MENOS ENERGIA ESTE VERÃO
Há várias formas de conseguir reduzir os custos com o consumo de energia em casa, de acordo com as recomendações da própria EDP. Saiba como vai reduzir a sua factura.
Para começar, um bom isolamento térmico é sempre uma forma de evitar as perdas de calor e as infiltrações e, assim, não há tanta necessidade de investir em sistemas de climatização. Por exemplo, calafetar portas e janelas com fita adesiva de espuma (indicada para o efeito) é 5% de energia que se poupa. Já ao isolar as paredes, chão e tecto, consome-se menos 30%. Isto percebe-se pelo facto de cerca de 60% da energia dos sistemas de aquecimento ser desperdiçada ao escapar por zonas que podem ser facilmente isoladas.
Quanto à climatização, as temperaturas consideradas de conforto para uma casa variam entre os 18ºC, no Inverno, e os 25ºC, no Verão. Assim, para obter estas temperaturas pode-se escolher o vestuário adequado à estação do ano, mesmo dentro de casa, sendo que no Verão deve-se evitar a entrada dos raios solares directos durante o dia e facilitar a ventilação natural de noite, abrindo as janelas em lados opostos da casa.
A iluminação é também um factor muito importante para os gastos com a energia uma vez que representa cerca de 10 a 15% do consumo de electricidade de uma habitação. Por isso, deve-se aproveitar ao máximo a luz solar para evitar acender lâmpadas durante o dia. Além disso, pode-se desligar a luz quando esta não for necessária ou instalar sensores de movimento nos locais de passagem. Uma boa dica são as lâmpadas fluorescentes compactas que dão a mesma luz, mas gastam menos 80% de energia.
Desligar televisão sem comando dá poupança de 20 euros
Com o ar condicionado, a EDP recomenda que se verifique o isolamento da casa quando este estiver a funcionar, mas como alternativa pode-se recorrer à ventilação natural ou a ventoinhas, se o calor não for abrasador.
A televisão é também um equipamento com gastos, muitas vezes, desnecessários. Para reduzi-los convém não ligá-la só para servir de companhia, nem adormecer com ela ligada. Outro conselho útil é desligar a televisão no botão, em vez de a desligar no comando. Uma medida que pode levar a poupanças bastante significativas. Segundo a EDP, uma família média portuguesa poderá poupar cerca de 20 euros por ano e 100 kg CO2.
Responsáveis pela maior parte do consumo de electricidade no sector residencial são os equipamentos como os frigoríficos e os combinados. Só 20% do seu consumo deve-se à abertura das portas, pelo que se deve tentar reduzir este tempo. E em período de férias ou de ausência prolongada é uma boa ideia esvaziar o frigorifico e desligá-lo.

PORTÁTIL MAIS ECONÓMICO EM 90% QUE COMPUTADOR TRADICIONAL
O computador é já quase considerado um electrodoméstico e também consome muita energia. Aqui, os conselhos da EDP passam por desligar todo o equipamento quando não estiver a ser utilizado, programar o computador para se desligar automaticamente e, ainda, optar por portáteis que são bastante mais económicos. Este tipo de computador pode consumir até menos 90% de energia do que um tradicional.

VAMOS TODOS AJUDAR A SALVAR O NOSSO PLANETA...

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

quinta-feira, maio 03, 2007

Cartografia de risco….das bacias hidrográficas!!!

Segundo as notícias recentes, parece que é desta que a avaliação de avaliação de riscos ambientais está a tentar dar um passo de gigante no nosso país.
Portugal fazer um estudo exaustivo através da realização de cartografia das zonas de maior risco e os planos de gestão das bacias dos rios internacionais (Douro, Tejo, Guadiana, Lima e Minho).
Esta é uma medida abrangida pela nova legislação sobre avaliação e gestão de inundações, aprovada pelo Parlamento Europeu, ao mesmo tempo que exige uma coordenação comum das bacias hidrográficas. Uma medida vital para que haja uma maior avaliação e gestão não só dos caudais mas dos impactos que esses poderão ter. O objectivo é criar um quadro legislativo com vista a proteger a saúde das populações, o meio ambiente, o património cultural e as actividades económicas.
Contudo considero que Portugal deveria aproveitar e elaborar uma cartografia de riscos, não apenas dos rios internacionais, mas também para outras bacias hidrográficas, como por exemplo o Sado e o Zezêre que são rios nacionais e que apresentam também um risco acrescido para as populações em caso de inundações.

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

The BioDaVersity...Code


A organização ambientalista WWF convida-nos a reflectir um pouco sobre alguns dos problemas ambientais que afectam o nosso planeta através de um excelente flash inspirado no filme "Código de DaVinci". Divirtam-se enquanto reflectem! http://assets.panda.org/custom/flash/daversitycode/

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

sexta-feira, novembro 24, 2006

Climático ou climatérico

Transcrevo para este espaço um comentário do senhor professor António Lopes a propósito do uso destes dois termos. Trata-se de uma contribuição valiosa, acerca da confusão que costuma existir entre estes dois termos.
"Acerca da utilização indevida do termo Climatérico - este termo é frequente e incorrectamente usado tanto como sinónimo de Estado do Tempo , como de Clima. É o resultado da influência que o francês teve sobre a nossa língua, devendo por isso ser classificado como um Galicismo,Barbarismo ou Estrangeirismo.

1) Em primeiro lugar não deve ser usado na nossa língua porque existem termos em português que definem as condições atmosféricas momentâneas, às quais geralmente se querem referir aqueles que o usam. Neste caso é aconselhável o uso de "estado da atmosfera" "estado do tempo" ou "condições atmosféricas".
2) Também não deve ser utilizado como sinónimo de "climático" porque o clima é definido por um conjunto de repetições de estados do tempo típicos, que lhe conferem características médias, empiricamente previsíveis, e com ritmos anuais e mensais mais ou menos bem definidos. A Organização Meteorológica Mundial propõe a utilização de períodos não inferiores a 30 anos para definir um tipo climático (normal climatológica). Também neste caso não é lógico utilizar o termo "climatérico" porque raramente é utilizado com este sentido e, quando o é, já existe um termo em Português - CLIMÁTICO.
3) Por último, mas não menos importante, climatérico é referente ao climatério, que significa Menopausa. "
António Lopes, Professor Auxiliar da Universidade de Lisboa

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

domingo, outubro 01, 2006

GIS Day é já a 15 de Novembro


Um Sistema de Informação Geográfica ( SIG ou GIS - Geographic Information System, do acrónimo inglês) é um sistema de hardware, software, informação espacial e procedimentos computacionais, que permite e facilita a análise, gestão ou representação do espaço e dos fenómenos que nele ocorrem. Os SIG’s assumem uma importância cada vez maior em diversas áreas, podendo utilizar-se na maioria das actividades com uma componente espacial, da cartografia a estudos de impacto ambiental ou da prospecção de recursos ao marketing. A profunda revolução que provocaram as novas tecnologias afectou decisivamente a evolução da análise espacial. Os SIG, são actualmente utilizados nos mais variados mercados e indústrias, podendo servir quase todas as áreas da engenharia. Eles oferecem dados geográficos e ferramentas de análise espacial, que estão ao alcance dos utilizadores através dos seus computadores, servidores, Internet ou intranets. Actualmente, os SIG servem muitas áreas, para além da tradicional área geográfica. A utilização dos SIG como ferramenta de ajuda à tomada de decisão tem vindo a crescer exponencialmente nos últimos anos. No entanto, a matéria-prima dos SIG é sempre a informação geográfica, resultante dos dados geográficos que são inseridos no sistema. Os dados geográficos são a informação que representa as entidades existentes à superfície da Terra, através da sua posição num sistema de coordenadas geográficas bem definido. E podem dar-se como exemplos de informação geográfica os mapas topográficos digitalizados, as imagens de satélite, os mapas baseados em fotografias aéreas e os modelos de elevação do terreno. Através dos SIG, essa informação é organizada em temas, e armazenada em bases de dados, por isso, um SIG integra, normalmente, um elemento de manipulação gráfica e um sistema de gestão de bases de dados. Porque os SIG’s são cada vez mais uma ferramenta indispensável na sociedade actual, no próximo dia 15 de Novembro será celebrado em todo o mundo o GIS Day. O GIS Day (Dia Mundial dos Sistemas de Informação Geográfica), é uma iniciativa integrada na Geography Awareness Week, que tem como principal objectivo, demonstrar a importância da Geografia em especial dos Sistemas de Informação Geográfica (SIG), para o nosso quotidiano, informando sobre as suas potencialidades e divulgando os trabalhos produzidos à comunidade. São mais de 700 organizações de 65 países que participam nas actividades do GIS Day, sendo que o tema deste ano é “Migração: a Jornada Humana". Além da National Geographic, também patrocinam o evento a ESRI, Hewlett-Packard, Sun Microsystems e a Associação de Geógrafos Americanos, entre outras instituições de peso. Se quiser obter mais informação acerca deste evento, pode visitar o site http://www.gisday.com/ lá poderá encontrar diversas informações, jogos, programas, e outros dados interessantes para que possa ficar mais esclarecido (para quem ainda não está), do que são os Sistemas de informação Geográfica, para que servem e quais as suas potencialidades.

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

sexta-feira, agosto 25, 2006

Competências de um Geógrafo

Este post vem a propósito de um comentário feito por um geógrafo (Paulo Moreira) a uma notícia por e que me parece oportuno divulgar e acrescentar mais qualquer coisa. A notícia está relacionada com o facto de o LNEC ir desenvolver um projecto para a criação de mapas digitais de risco que abrange as áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa para permitir um maior controlo dos grupos de criminosos.
O comentário, feito por este Geógrafo é a seguinte: “De facto estamos num país de arquitectos, engenheiros, advogados e pouco mais. O resto é paisagem… No caso concreto assistimos a engenheiros a elaborar cartografia temática sobre áreas de risco para o combate à criminalidade. Concluo agora que um engenheiro serve para todo e qualquer serviço. Ninguém sabe ao certo onde começam e acabam as suas competências. Entretanto, outras áreas académicas ficam esquecidas e não saem do
marasmo pois não lhes é dada qualquer oportunidade. Enfim, só neste país.
Alguém sabe o que é um geógrafo? Acho que a maioria nunca ouviu falar e a minoria pensa que é alguém que lecciona e sabe tudo sobre países e capitais.
Pois bem, o tipo de projecto atribuído ao LNEC?!!! encaixa na perfeição no quadro de competências de um geógrafo (recolha de informação de dados relativos a actividades criminosas, elementos demográficos, urbanísticos, GPS, (…). O projecto, realizado no âmbito do programa “Metrópoles seguras”, está mais relacionado com a Geografia do que com a engenharia Civil, não concordam?
Deveríamos pois aprender com outros países onde o Geógrafo tem um papel muito diferente daquele que lhe é atribuído pelo nosso país. São inúmeros os exemplos onde equipas que desenvolvem este tipo de projectos (baseados num sistema de informação geográfica) são coordenados e integram estes profissionais. (…)”

Eu acrescento, que no nosso país fazem-se projectos onde quase sempre só entram engenheiros e arquitectos, esquecendo-se sempre, ou quase sempre, que existem profissões com mais competência para exercer determinadas funções, nomeadamente em estudos de impacte ambiental, em estudo geomorfologicos, geológicos… e aqui não falo apenas do Geógrafo.
Assim sendo, e para aqueles que consideram que as funções dum Geógrafo se baseiam exclusivamente ao ensino, e também para aqueles que não fazem a mínima ideia do que é ser Geógrafo. E porque nós temos orgulho em sê-lo e porque para quem não sabe, a profissão de Geógrafo foi umas das primeiras a ser reconhecidas no país aqui vai a explicação:
Os geógrafos estudam fenómenos físicos e humanos às escalas local, nacional ou mundial. Estudam a sua distribuição no espaço e procuram identificar os factores explicativos e as consequências dessa distribuição. A resposta à primeira questão é essencialmente descritiva; o estudo das causas e das inter-relações que explicam os padrões geográficos envolve teoria e análise. A geografia procura também interpretar os significados dos territórios, considerando, para o efeito, as dimensões identitárias dos lugares.
Com as informações recolhidas nos seus estudos, e após a análise das inter-relações entre os diversos fenómenos, os geógrafos elaboram estudos integrados, relatórios e mapas que caracterizam o espaço e os diferentes fenómenos físicos e humanos, emitindo pareceres e recomendações que são de grande importância no apoio às decisões políticas em variados sectores da sociedade, contribuindo com o seu saber e capacidade de interpretação do espaço para o ordenamento do território e para o desenvolvimento territorial equilibrado. Os seus trabalhos são particularmente utilizados na elaboração de Planos Regionais de Ordenamento do Território, Planos Directores Municipais (planos de ordenamento do território municipal) e no planeamento urbanístico, assim como na formulação e avaliação de políticas territoriais (locais, urbanas e regionais) ou sectoriais com impacte espacial (ambiente, economia, cultura, sociais, …).
A avaliação das situações de perigo e risco e os contributos para o ordenamento biofísico envolvem o estudo de fenómenos físicos. Neste sentido, são desenvolvidos trabalhos relativos à geomorfologia, o tipo de solo, as condições climáticas e a vegetação natural de determinada área. Estudam a evolução das formas de relevo – montanhas, vales, planaltos, …– e individualizam unidades geomorfológicas no território. Realizam, igualmente, estudos hidrológicos, especialmente sobre o funcionamento dos hidrossistemas (bacias hidrográficas e aquíferos). Os geógrafos dedicam-se, também, ao estudo e classificação das associações vegetais características de uma região: registam o tipo de plantas predominantes nos diferentes estratos (herbáceo, arbustivo e arbóreo) e a extensão de território que ocupam, classificando as associações segundo as suas características biogeográficas, como por exemplo as florestas (mediterrânica, equatorial, tropical), ou os ecossistemas agrícolas.
Em relação às condições climáticas, os geógrafos analisam, entre outros parâmetros, a variação da precipitação, a amplitude térmica, a velocidade e direcção dos ventos e a influência das altas ou baixas pressões atmosféricas. De acordo com as informações obtidas, cabe-lhes classificar o clima de uma determinada área em estudo, obedecendo às tipologias estabelecidas, assim como as suas diferentes cambiantes). O estudo do clima urbano – variações da temperatura, dinâmica particular do vento – e a avaliação do conforto/desconforto humano e a qualidade de vida nas cidades constituem os principais domínios de integração do clima no planeamento urbano.
Na perspectiva da análise da ocupação humana do território, geógrafos estudam as dinâmicas natural e migratória da população, o tipo de povoamento, as dinâmicas da rede urbana (metropolização, urbanização difusa, policentrismo, …), as actividades económicas e a distribuição dos equipamentos e infra-estruturas. Igualmente relacionada com a ocupação do espaço está a análise das actividades económicas desenvolvidas pela população. Neste âmbito, os geógrafos registam, entre outros, o tipo de agricultura praticado (produtos cultivados, máquinas utilizadas, extensão de terreno cultivada, etc.), a indústria existente (produtos fabricados, localização das unidades fabris, factores de produção, etc.) e a presença do sector terciário (localização, diversidade das actividades, segmentação, mercados, etc.). Efectuam, ainda, estudos de programação dos equipamentos sociais, tais como os estabelecimentos de educação, saúde, culto e lazer, bem como a distribuição das infra-estruturas, designadamente vias de transporte, comunicação e logística.
Apesar das inter-relações entre fenómenos físicos e humanos, é normal estes profissionais optarem por trabalhar apenas numa destas áreas. Podem, inclusive, especializar-se num determinado tipo de estudos: económicos (dotação de recursos, especialização da base económica e dinâmicas de inovação), sociais e culturais (a coesão social, a etnicidade e as vivências e práticas culturais), políticos (relação do território com os fenómenos políticos locais, nacionais e internacionais), urbanos e de transportes (organização das cidades e das áreas metropolitanas), rurais (desenvolvimento local e capacidade institucional) e ambientais e paisagísticos (planeamento biofísico e defesa do património natural ou construído).
Para executarem o seu trabalho, os geógrafos recorrem com frequência a técnicas de análise estatística e às tecnologias de informação e comunicação. É o caso dos sistemas de informação geográfica, que permitem obter, armazenar, classificar, tratar e analisar informação espacialmente referenciada, essenciais para a identificação e explicação dos padrões espaciais e para a construção de modelos vocacionados para a intervenção no ordenamento do território. Como tal, são cada vez mais utilizadas as ferramentas computacionais na análise geográfica.
Além disso, para ser geógrafo é conveniente possuir, entre outras características, curiosidade científica, gosto pela observação e capacidade para interpretar os fenómenos naturais e humanos, facilidade em usar mapas e propensão para o trabalho de grupo. De resto, esta é uma profissão em que é raro o trabalho individual: dependendo do estudo em curso, assim se constituem equipas pluridisciplinares com arquitectos, paisagistas, economistas, sociólogos, urbanistas, engenheiros civis, geólogos, meteorologistas, etc.

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

quarta-feira, agosto 23, 2006

Cabo Mondego vai ser Monumento Natural


Depois do post escrito no passado sobre o Cabo Mondego, hoje, este deixa-me especialmente feliz, porque parece que finalmente, e depois de mais de uma década, o Cabo Mondego irá em breve ser classificado como o sexto monumento natural Português, devido às suas características geológicas.
A proposta foi feita pelo Instituto de Conservação da Natureza e o procedimento administrativo inerente à classificação, (Decreto-Lei nº 19/93) passa por uma fase de inquérito público estará para consulta a partir de 8 de Setembro e prolonga-se até dia 20 de Outubro, sendo que poderá ser efectuada no Instituto de Conservação da natureza (http://www.icn.pt)/, na Câmara Municipal da Figueira, Junta de Freguesia de Quiaios, Junta de Freguesia de Buarcos e Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro.
Os interessados em participar no inquérito público poderão fazê-lo por escrito, através da ficha de participação que se encontra nos locais acima enunciados ou pelo endereço doaap@icn.pt.
A proposta dos limites já foi feita, bem como uma proposta de Decreto – Regulamentar, esperando que em breve o Cabo Mondego possa finalmente ser classificado tendo em vista a sua conservação e manutenção da sua integridade.
Relembro que o Cabo Mondego é conhecido pelos seus jazigos minerais jurássicos, um importante espólio de associações de fósseis, particularmente amonites e icnofósseis (com referências desde 1684). Por outro lado, a sua situação geográfica proporciona excelentes condições de observação e estudo, conferindo-lhe um elevado valor científico, pedagógico e didáctico.
Mas todo este processo de classificação como monumento nacional dos "Afloramentos Jurássicos do Cabo Mondego" não tem sido fácil, iniciando-se em 1978 no Serviço Geológico de Portugal. Em 1994 foi reiniciado com a apresentação formal de uma proposta de Decreto Regulamentar por ofício da Faculdade de Ciências de Coimbra (FCC) dirigido ao então Presidente do ICN, acompanhado por um extenso relatório técnico-científico. Seguiram-se uma série de iniciativas e acções com participação das três entidades envolvidas: Câmara Municipal da Figueira da Foz, ICN e Faculdade de Ciências de Coimbra.
Em 2003, foi aprovado, por iniciativa do município da Figueira da Foz, classificar o cabo Mondego como imóvel de Interesse Municipal. E só agora a sua proposta de classificação como Monumento natural.
Esta decisão é de louvar, mas peca por tardia, porque na verdade, uma parte importante do seu espólio já foi destruída, sobretudo devido à exploração da Cimpor que para produzir cal usa o mesmo calcário que encerra os vestígios fósseis do passado.
O que aconteceu foi um crime ambiental, que durou décadas, e que por interesses políticos e económicos se perdeu um património riquíssimo que jamais renascerá. Porque o Cabo Mondego, relembro, representa em toda a sua singularidade, raridade e representatividade o período da Terra entre 171 e 167 milhões de anos.
O que se espera agora é que jamais se cometem os mesmos crimes para que a história da terra perdure porque já não temos lugares de memória é precisamos de criar lugares de memória. Não se trata de avivar as memórias, o importante é criar ou recriar as memórias daquilo que terá sido a terra.
Se quiserem obter mais informações de todo este processo consulte a página:
http://portal.icn.pt/ICNPortal/vPT/
Lá poderão encontrar o Projecto do Decreto – Regulamentar, a ficha de participação e o Relatório Técnico de Fundamentação, entre outros documentos. Depois é só participar no inquérito público até dia 20 de Outubro do corrente ano.

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

quarta-feira, maio 31, 2006

Ministério do Ambiente aprova mais um novo campo de Golfe numa área protegida

A expansão das actividades turísticas têm reformulado o padrão de oferta em concordância com uma procura cada vez mais exigente. Os empreendimentos turísticos não se limitam a ter infra-estruturas para acomodação; existe uma panóplia de actividades de lazer combinadas com a valorização dos recursos naturais.
A prática do golfe começa a ter em Portugal, uma importância real e crescente, sobretudo na região do Algarve. Não obstante, tal como outro sector económico ocupa espaço, consome recursos e têm custos ambientais que podem ser considerados.
E para não variar, aí vem mais um novo campo de golfe.....
Apesar da Comissão de avaliação o reprovar, o Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, deu luz verde ao "Empreendimento Lagoa da Vela Golf”, na Figueira da Foz, ao emitir uma Declaração de Impacte Ambiental favorável condicionada, sendo que, para a sua construção existirão alguns condicionalismos que terão de ser tidos em conta pelos promotores do empreendimento que prevê um campo de golfe de 9 buracos e 224 habitações, numa área de 100 hectares abrangida pela Directiva Europeia Habitats e classificada como Sítio da Rede Natura.
Se pensarmos apenas em aspectos economicistas, este empreendimento é bem capaz de trazer benefícios. Contudo, mais que os aspectos económicos importa salientar os inúmeros impactos ambientais que ele trará, e que negativamente, afectarão mais população do que aquela que vai usufruir deste novo espaço, que como se sabe é apenas uma pequenina minoria.
Quando muito se tem falado em gestão de recursos hídricos, nos cada vez mais episódios de seca em Portugal, na protecção e valorização da paisagem, como é possível que para ceder aos caprichos de meia dúzia de pessoas, se possa prejudicar milhares de outras, se possa destruir uma área tão rica ao nível paisagístico, espécies, como é que é possível que isto ainda aconteça?
Se pensarmos nos impactos que os campos de golfe têm, facilmente percebemos que num país como o nosso, a sua implementação não faz qualquer sentido.
Para além dos impactes directos na geologia e geomorfologia, associado às escavações e movimentação de terras, todos os trabalhos durante a fase de construção poderão potenciar a erosão hídrica, além da possível alteração do escoamento superficial.
Afecta igualmente, quer a quantidade, e mais grave que tudo, a qualidade da água, uma vez que as escorrências sub-superficiais apresentarão elevados níveis de contaminação química.
Já para não falar das implicações significativas que tal empreendimento terá na paisagem, que lembro é abrangida pela Directiva Europeia Habitats e Sítio da Rede Natura, de espécies que poderão, quase de certeza desaparecer, de implicações que trará nos ecossistemas, entre outros.
Poderão dizer que um campo de golfe, potenciará o turismo, mas lembro que este tipo de turismo, deverá ser sempre sustentável; cumprir critérios de sustentabilidade sociais, culturais, ecológicos e económicos; ter uma visão a longo prazo, ser sustentável economicamente e, acima de tudo, ecologicamente. Não pode, nem deve ter apenas em consideração os benefícios privados e económicos.
É necessário e urgente pensar de forma sustentada, agir de forma ponderada, consciencializarem-se de que o planeta terra, a paisagem é de todos e não apenas usufruto de alguns!

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

sexta-feira, abril 28, 2006

Novo site na internet disponibiliza ajuda aos cidadãos sobre os ecopontos e a reciclagem

De certo, todos já tiveram a possibilidade de assistir na televisão àquele anúncio onde diversas crianças fazem perguntas, como aquela “Porque é que a rua do Manel tem um ecoponto e a minha não?”, ou mesmo aquela frase “Explica-me como se eu fosse uma criança de 4 anos!”
Pois bem, para dar resposta a estas e outras perguntas, a sociedade Ponto Verde e o Grupo de Estudos de Ordenamento do Território (GEOTA) lançaram recentemente um novo espaço na Internet, cuja principal “missão” é ajudar os cidadãos a localizarem os ecopontos da sua área de residência e que também lhes permite dar sugestões para melhorar o seu funcionamento.
Através deste novo site, os utilizadores dos ecopontos podem participar, esclarecer e sugerir soluções tendo em vista a melhoria da recolha selectiva do lixo através dos ecopontos. Paralelamente, este espaço disponibiliza ainda variada informação acerca da separação de embalagens, ecopontos e ecocentros, centros de triagem, tratamento de resíduos e reciclagem, entre outros, para que todos nós possamos contribuir para o processo da separação conveniente do lixo.
De facto mais uma iniciativa de louvar, ainda que muito haja para que Portugal e todos os portugueses possam definitivamente consciencializar-se para a importância que a separação do lixo tem para a sociedade e acima de tudo para o Ambiente, como por exemplo a existência de mais ecopontos em pontos estratégicos e em zonas carenciadas – no meu caso por exemplo, não existe um único ecoponto por perto!
O site é http://www.omeuecoponto.pt

Aqui fica o último vídeo feito pela Sociedade Ponto Verde, em mais uma das suas fabulosas campanhas!

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

domingo, abril 02, 2006

Criação do Sistema Nacional de Exploração e Gestão de Informação Cadastral

Os sistemas de informação Geográfica são cada vez mais uma ferramenta importantíssima em questões como o Ordenamento do Território. Para tal é importante que seja criado um sistema de informação que permita a articulação dos dados de todas as entidades de forma coerente e consentânea, de forma a não haver uma anarquia completa dos mesmos. Assim sendo, o conselho de ministros aprovou no 23 de Março do corrente ano, a criação de um sistema Nacional de Exploração e Gestão Cadastral, denominado de Sinergic.
Este sistema visa dotar o país duma base cadastral consentânea com os interesses e necessidades actuais da sociedade com vista a garantir o conhecimento dos limites e da titularidade da propriedade.
O principal objectivo do Sinergic é estabelecer a Informação Predial Única de modo a assegurar a identificação unívoca dos prédios, urbanos e rústicos, mediante a utilização de um número único de identificação do prédio comum a toda a administração pública.
São, ainda, objectivos do Sinergic: unificar, num único sistema de informação, os conteúdos cadastrais existentes e a produzir; permitir uma gestão uniforme e informática dos conteúdos cadastrais; garantir a sua compatibilidade com os sistemas informáticos utilizados pelas várias entidades envolvidas no projecto; integrar o registo predial em suporte gráfico conjunto, assegurando que a sua descrição é acompanhada de um suporte gráfico; possibilitar a utilização generalizada do sistema pela administração pública, aumentando a eficiência dos serviços prestados; garantir a privacidade e segurança dos dados; possuir uma plataforma tecnológica dirigida ao cidadão e permitir a igualdade de acesso à informação dos detentores de direito sobre a propriedade.
De realçar que ainda no âmbito desta projecto é também criado um sub-projecto denominado de Cadastro das Áreas de Floresta, com o objectivo de instituir, num prazo de três anos, um cadastro das áreas de floresta que assegure a cobertura das áreas públicas comunitárias e as áreas integradas em Zonas de Intervenção Florestal.
Na verdade este sistema vem colmatar uma lacuna existente, já que é sempre difícil saber o cadastro existente em cada município e também saber que floresta temos, de quem pertence…
Contudo, é desejável que este não seja mais um bom projecto a ficar no papel… que possa estar concretizado a curto prazo, e que não aconteça o mesmo que aconteceu com alguns projectos que quando concluídos já estavam desactualizados.
É importante não esquecer que um sistema de informação deste género requer uma contínua actualização, senão perde toda a sua operacionalidade e fica condenada ao fracasso!
P.S. Podem consultar o link para visualizar em formato PDF a informação mais detalhada acerca do mesmo, bem como alguns conceitos sobre cadastro de propriedades. Este ficheiro foi elaborado pelo Instituto Geográfico Português.

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

Portugal. Dicionário Geográfico de 1758 já está on-line

Para a quem possa interessar, saibam que já é possível aceder via Internet ao "Dicionário Geográfico" de 1758. Esta obra é composta por 44 volumes, tendo a sua digitalização sido requerida a pedido da Academia de Ciências de Lisboa.
Esta obra encontra-se guardada nos arquivos nacionais da Torre do Tombo e que contém os relatos de párocos acerca da destruição causada pelo terramoto de 1755.
Trata-se de uma primeira iniciativa que tem como objectivo dar a conhecer o património existente nos arquivos nacionais. De acordo com responsáveis pelo arquivo, mais importante que conservar os documentos é promover a sua difusão.
A obra agora digitalizada é de particular interesse para investigadores das áreas do ordenamento do território e cartografia, pois possui descrições bastante detalhadas das regiões e freguesias.
Até aqui as pessoas tinham de se deslocar aos Instituto e pedir a reprodução destes documentos, tarefa que agora fica mais facilitada com a sua disponibilização on-line, pelo que iniciativas destas são sempre bem vindas, para que o público em geral possa aceder a arquivos importantíssimos da história e geografia do nosso país... afinal de contas, não é so teorizar a questão do acesso à cultura é importante passar da teoria à pratica.

O site é: http://www.iantt.pt/

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

quinta-feira, março 16, 2006

O problema da gestão dos recursos hidricos


2005 foi um ano um ano extremamente seco, que nos alertou para a necessidade de uma nova politica de gestão de recursos hídricos, isto sendo optimista, porque na verdade creio que no nosso país nunca houve nenhuma estratégia para o efeito.
De facto, o maior problema que actualmente vivemos é a falta duma tomada de posição que seja firme e indissolúvel, na questão da defesa dos nossos recursos hídricos. Observamos que há muita vontade, muito entusiasmo, mas, por outro lado, a prática não se vê. Muito se tem debatido sobre a questão dos recursos hídricos, e quando nos surgem problemas como o da seca severa a extrema como a do ano transacto, é que se tomam medidas. Sabemos que muitos são aqueles que desejam modificações estruturais, com a argumentação da necessidade do avanço para consolidar preceitos deste novo século. Claro que os debates são importante, mas na verdade é ainda mais imperativo estabelecer regras e verificar o que se fez no passado e o que se pode fazer para o presente, visando um futuro promissor. Não há como alavancar um determinado empreendimento, sem que tenhamos uma base de sustentação. Portanto, toda esta questão que envolve a gestão dos recursos hídricos, que não passa só pela quantidade mas, e acima de tudo pela qualidade da água de que dispomos, esta questão da degradação de toda a estrutura que a natureza nos oferece, merece uma melhor ponderação. É preciso que tenhamos a plena consciência da gravidade do assunto e possamos, assim, contribuir com a nossa tarefa, o nosso esforço pessoal, a nossa vontade maior de salvar este nosso espaço, cada vez mais perverso no sentido da disputa territorial. O que nos importa, acima de tudo, é atentarmos para o significado de que não somos os exclusivos aqui na Terra; mas que apenas pertencemos a um ecossistema e dele fazemos parte. E que nos consciencializemos que é este exclusivismo hipócrita que tem causado inúmeros prejuízos ao Planeta Terra e urge, neste novo século, partirmos para uma prática saudável, construindo um progresso necessário, sem ferir o nosso meio ambiente.
Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Será que merecemos o Jurássico que temos, se são os outros que o estudam, o divulgam e o protagonizam?

Em Portugal, a legislação em vigor para a protecção da natureza é o Decreto-lei 19/93 que estabelece as normas relativas à Rede Nacional de Áreas Protegidas.
Neste decreto existem seis figuras legislativas de protecção, a saber: Parque Natural, Parque Nacional, Reserva Natural, Paisagem Protegida, Sitio de Interesse Biológico e Monumento Natural.
Não obstante, quando falamos na aplicabilidade que estas têm relativamente ao património geológico, verificamos que existem muitas lacunas. De facto, para proteger o património geológico português resta-nos apenas a figura de Monumento Natural e, mesmo assim, revela-se pouco explicita relativamente aos objectos geológicos, já que a única referência directa que o mesmo faz em relação aos valores geológicos é o artigo que se refere aos objectivos.
Posto isto, e ainda que exista uma figura legal que pode classificar os objectos geológicos, verificamos que o seu valor e aplicabilidade não produzem o efeito desejado.
Por outro lado, o processo administrativo da classificação é demasiado longo e ainda existe um desinteresse na protecção dos mesmos objectos geológicos devido à falta de informação.
Actualmente é sustentada a ideia errada de que os valores geológicos se referem única e exclusivamente às pegadas dos dinossauros, contudo, Portugal apresenta uma elevada diversidade que não se limita aos icnofósseis ou às formações cársicas.
Dentro dos objectos geológicos que não estão classificados, temos as falésias do Cabo Mondego, situadas a norte da Figueira da Foz.
Aqui é possível observar um registo completo de vestígios do Jurássico. O estrato que corresponde ao Bajociano (subdivisão do Jurássico) está de tal forma completo que em 1996 a União Internacional de Ciências Geológicas o classificou como “Estratotipo Limite”, ou seja, o único local no mundo que melhor representa o período da terra entre 171 e 167 milhões de anos.
Este geomonumento por excelência está também classificado como Biótipo Corine (Património Natural de Interesse para a Conservação) e declarada pela União Geológica Mundial como “ Património de Interesse Global”, contudo em Portugal só há bem pouco tempo se propôs a sua classificação como Património de Interesse Municipal. E enquanto isso, enquanto que aqueles que tem a decisão, e que revelam uma enorme falta de cultura científica, não tomam medidas, o cabo Mondego é diariamente delapidado por interesses economicistas, do cimento….
Porque já não temos lugares de memória precisamos de criar lugares de memória. Não se trata de avivar as memórias, o importante é criar ou recriar as memórias daquilo que terá sido a terra e, o Cabo Mondego representa em toda a sua singularidade, raridade e representatividade tudo o que foi a terra durante 40 milhões de anos.
Por outro lado, os patrimónios, e neste caso, o Cabo Mondego, desde que assumido como tal, possuem um função social muito importante. Essa função é de fazer existir uma entidade colectiva, sempre abstracta, tornando-o visível por exposição pública dos seus importantes recursos geológicos.
Concluindo, o Cabo Mondego não encerra “apenas” um riquíssimo património geológico, ele também encerra a história da vida da terra em que vivemos e isso é já de si extremamente importante. Assim sendo, é urgente que os nossos políticos se consciencializem das nossas potencialidades e que lhe dêem a classificação que ele merece, e isso não é para amanhã, devia ter sido ontem!

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

Viagens dos Euros

Para muitos já não será uma novidade mas aqui deixo junto ao contador (no fundo da página do blog) o acesso a um site que permite a cada um de nós seguir os percursos das nossas notas de euros. Para além disso, há estatísticas muito interessantes representadas em cartogramas e, não só, que permitem fazer-se ilações geográficas bastante interessantes e curiosas.
Registem-se e às notas que transportam na carteira. Mais tarde poderá acontecer serem detectadas no país mais improvável!

Nota: Neste momento tenho na minha carteira duas notas portuguesas e uma alemã...


Luís Silveira

A urgência da preservação da identidade do centro histórico de Coimbra


A salvaguarda e recuperação do património edificado – de que os centros históricos são parte integrante – constitui um dever indeclinável das entidades competentes e da população que nele habita e visita. Na realidade, o que está em causa é a preservação de um vasto acervo fundador da nossa identidade e da nossa memória colectiva, materializado na diversificação de um paisagem que constitui o espaço de afirmação da história e da cultura portuguesas.
Até há bem pouco ano Coimbra não tinha uma política eficaz e coerente de preservação do seu vasto património arquitectónico. As acções que foram sendo implementadas foram quase sempre pontuais e avulsas e nem sempre direccionada das melhor forma.
Coimbra rebentou as muralhas, cresceu, evoluiu de tal forma que as preocupações centrais passaram a ser orientadas para as novas áreas que se foram instalando ao redor do centro histórico que ia, paralelamente perdendo importância porque deixado ao esquecimento.
Contudo, hoje percebe-se que tais esquecimentos provocaram uma profunda descaracterização do centro histórico que outrora possuía um papel tão importante, ou melhor, detinha o papel principal da urbe.
A procura de maiores e melhores habitações provocaram um progressivo despovoamento, que hoje é sentido com maior intensidade à noite. Por outro lado, o envelhecimento que caracteriza não só o centro histórico, mas também toda a cidade, ainda que seja no primeiro onde ele mais se acentua, provocaram uma perda de vitalidade com consequências em todos os sectores económicos.
A degradação do parque habitacional, do património arquitectónico, das infra-estruturas e equipamentos, e até do próprio espaço urbano, tornaram este local num espaço onde apenas os resistentes e os menos enriquecidos economicamente persistem em viver.
Para que esta situação não se torne irreversível é urgente definir estratégias segundo uma política global de reabilitação urbana, que concilie identidade e desenvolvimento, função residencial e serviços, respeito pelas transformações sociais e culturais e abertura à inovação, às transformações sociais e culturais do nosso tempo que são inevitáveis.
O centro histórico de Coimbra é um lugar cheio de memória, com características únicas que pede há muito, e com legitimidade, uma política de recuperação eficaz e coerente.
Assim sendo, talvez a elaboração da candidatura da Universidade de Coimbra e sua área "tampão”que está a ser elaborada pela Universidade de Coimbra em parceria com o IPPAR, CMC e outras entidades, possa contribuir para dar a Coimbra e ao seu centro histórico, o lugar de destaque que ela tão bem merece.
Contudo, é importante que não esquecer que nenhum centro histórico é imutável e, por isso, o de Coimbra, também não o é. Assim, ter-se-á que regulamentar o modo de intervir no seu tecido e nos imóveis, para que não se ponha em causa o que, no momento actual, se considera fundamental preservar para o futuro, mas sem esquecer que, em comunhão com o que é antigo, será necessário afirmar o tempo presente, o que exige de todos os seus agentes um esforço enorme na fundamentação de quaisquer propostas para estas áreas.
Sensibilizar, antes de mais os seus habitantes para a importância do centro histórico na afirmação de cada uma das identidades constitui o aspecto mais importante, mas não único, para que, a médio prazo, o centro histórico de Coimbra recupere as suas expressões culturais tão importantes para conformar as dinâmicas da mudança.
Talvez, daqui a poucos anos, com o empenho de cada cidadão o centro histórico possa finalmente fazer jus da sua imagem, da sua memória, e apresentar ao mundo o que tem de melhor....

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

Geografar


Este blog nasce depois de muito tempo pensarmos poder ser interessante registar por escrito muitas das conversas, diálogos e pensamentos que todos os dias qualquer geógrafo por natureza realiza de forma individual ou com outros colegas e não só.
A interacção com o meio é inevitável e isso é bom. Apreende-se o Mundo! Que seja então um espaço de construção, de discussão e de registo geográficos!
Liliana e Luís