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quinta-feira, novembro 22, 2007

Univer(sc)idade, desafios e propostas de uma candidatura a património da humanidade


Nos próximos dias 29 e 30 de Novembro irá decorrer no Auditório do Edifício Central da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (pólo 2), um Seminário denominado de "Univer(sc)idade, desafios e propostas de uma candidatura a património da humanidade".
Neste seminário irão estar personalidades reconhecidas nas suas mais diversas áreas, e onde o tema central será a candidatura da Universidade de Coimbra a Património Mundial da Humanidade que a Universidade de Coimbra e a Câmara Municipal de Coimbra estão a preparar, sendo que os principais objectivos são conhecer e questionar os diferentes métodos, técnicas e práticas operativas hoje adoptadas nas acções de reabilitação, salvaguarda e valorização do património, com o objectivo de estabelecer as bases de uma metodologia de abordagem que seja comum às duas instituições e que possa ser aplicada num território tão complexo como fascinante, denominado de “Univer(sc)idade”. Sendo esta candidatura mais do que uma pretensão classificativa, ela é também uma nova forma de pensar e sentir o território... de interagir com a cidade e a sua história, de criar estratégias eficazes, capazes de respeitar os conceitos e preceitos desenvolvidos e aceites pela UNESCO e as exigências actuais da construção de um desenvolvimento sustentável. Assim sendo, aqui fica uma sugestão!
Para mais informações consultem o site da Universidade de Coimbra
Programa completo do seminário: Clica Aqui

Saudações Geográficas

Liliana Azevedo

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

A urgência da preservação da identidade do centro histórico de Coimbra


A salvaguarda e recuperação do património edificado – de que os centros históricos são parte integrante – constitui um dever indeclinável das entidades competentes e da população que nele habita e visita. Na realidade, o que está em causa é a preservação de um vasto acervo fundador da nossa identidade e da nossa memória colectiva, materializado na diversificação de um paisagem que constitui o espaço de afirmação da história e da cultura portuguesas.
Até há bem pouco ano Coimbra não tinha uma política eficaz e coerente de preservação do seu vasto património arquitectónico. As acções que foram sendo implementadas foram quase sempre pontuais e avulsas e nem sempre direccionada das melhor forma.
Coimbra rebentou as muralhas, cresceu, evoluiu de tal forma que as preocupações centrais passaram a ser orientadas para as novas áreas que se foram instalando ao redor do centro histórico que ia, paralelamente perdendo importância porque deixado ao esquecimento.
Contudo, hoje percebe-se que tais esquecimentos provocaram uma profunda descaracterização do centro histórico que outrora possuía um papel tão importante, ou melhor, detinha o papel principal da urbe.
A procura de maiores e melhores habitações provocaram um progressivo despovoamento, que hoje é sentido com maior intensidade à noite. Por outro lado, o envelhecimento que caracteriza não só o centro histórico, mas também toda a cidade, ainda que seja no primeiro onde ele mais se acentua, provocaram uma perda de vitalidade com consequências em todos os sectores económicos.
A degradação do parque habitacional, do património arquitectónico, das infra-estruturas e equipamentos, e até do próprio espaço urbano, tornaram este local num espaço onde apenas os resistentes e os menos enriquecidos economicamente persistem em viver.
Para que esta situação não se torne irreversível é urgente definir estratégias segundo uma política global de reabilitação urbana, que concilie identidade e desenvolvimento, função residencial e serviços, respeito pelas transformações sociais e culturais e abertura à inovação, às transformações sociais e culturais do nosso tempo que são inevitáveis.
O centro histórico de Coimbra é um lugar cheio de memória, com características únicas que pede há muito, e com legitimidade, uma política de recuperação eficaz e coerente.
Assim sendo, talvez a elaboração da candidatura da Universidade de Coimbra e sua área "tampão”que está a ser elaborada pela Universidade de Coimbra em parceria com o IPPAR, CMC e outras entidades, possa contribuir para dar a Coimbra e ao seu centro histórico, o lugar de destaque que ela tão bem merece.
Contudo, é importante que não esquecer que nenhum centro histórico é imutável e, por isso, o de Coimbra, também não o é. Assim, ter-se-á que regulamentar o modo de intervir no seu tecido e nos imóveis, para que não se ponha em causa o que, no momento actual, se considera fundamental preservar para o futuro, mas sem esquecer que, em comunhão com o que é antigo, será necessário afirmar o tempo presente, o que exige de todos os seus agentes um esforço enorme na fundamentação de quaisquer propostas para estas áreas.
Sensibilizar, antes de mais os seus habitantes para a importância do centro histórico na afirmação de cada uma das identidades constitui o aspecto mais importante, mas não único, para que, a médio prazo, o centro histórico de Coimbra recupere as suas expressões culturais tão importantes para conformar as dinâmicas da mudança.
Talvez, daqui a poucos anos, com o empenho de cada cidadão o centro histórico possa finalmente fazer jus da sua imagem, da sua memória, e apresentar ao mundo o que tem de melhor....

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo