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quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Incêndios florestais - Quem são os verdadeiros culpados?




Os incêndios florestais são das catástrofes naturais mais graves em Portugal, não só pela elevada frequência com que ocorrem e extensão que alcançam, como pelos efeitos destrutivos que causam. Para além dos prejuízos económicos e ambientais, podem constituir uma fonte de perigo para as populações e bens.
As suas causas são variadas, sendo, na sua grande maioria, de origem humana, quer por negligência e acidente (queimadas, queima de lixos, lançamento de foguetes, cigarros mal apagados, linhas eléctricas), quer por intenção. Os incêndios de causas naturais correspondem a uma pequena percentagem do número total de ocorrências em Portugal. Contudo, mesmo tendo conhecimento de que a maioria dos incêndios no nosso país são causados pela intervenção humana, pomos a culpa no clima, que se torna o bode expiatório de tudo, porque é muito fácil dizer cada vez que há uma calamidade que é o El Niño ou o efeito de estufa, mas quem tem culpa dos fogos somos nós, portugueses, que permitimos que o ordenamento do território em Portugal esteja desta forma. O problema não é deste ou daquele Governo, foram 40 anos de negligência colectiva. Julgo que se o planeamento do território fosse maior, ajudasse no combate aos fogos e o tornasse eficaz, esse ordenamento iria contrariar a meteorologia, deixando esta de ser o único factor para a previsão e prevenção dos fogos. Na minha opinião Portugal precisa que se faça cumprir a lei, precisa que se obrigue os proprietários a limpar as matas, e na eventualidade disso não ser possível, que seja o Estado a limpá-las. Portugal precisa de um ordenamento florestal eficaz, onde não se plantem apenas eucaliptos. Portugal e os portugueses precisam de entender que para protegermos o futuro das gerações vindouras temos que, muitas vezes por de lado, as tradições, ou então alterá-las (refiro-me ás festas tradicionais que têm foguetes). Portugal precisa de tomar consciência de que a floresta é essencial à vida na terra… e enquanto isso, a culpa dos incêndios florestais vai "morrendo solteira". Lanço-vos aqui um repto. Na vossa opinião de quem é a culpa dos incêndios florestais? O que deveria ser feito para travar esta calamidade que todos os anos assola o nosso país? Curiosidades:
  • Sabia que mais do que quatro incêndios em cinco têm causas humanas?
  • Sabia que os comportamentos de negligência tais como fumar em florestas e acender fogueiras, são responsáveis pela maior parte dos incêndios
  • Sabia que 1991 foi um ano recorde em termos de área ardida em Portugal Continental: cerca de 116 000 ha. Registaram-se, em média, cerca de 230 fogos por dia e um total de 22 000 fogos?

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

quarta-feira, agosto 23, 2006

Cabo Mondego vai ser Monumento Natural


Depois do post escrito no passado sobre o Cabo Mondego, hoje, este deixa-me especialmente feliz, porque parece que finalmente, e depois de mais de uma década, o Cabo Mondego irá em breve ser classificado como o sexto monumento natural Português, devido às suas características geológicas.
A proposta foi feita pelo Instituto de Conservação da Natureza e o procedimento administrativo inerente à classificação, (Decreto-Lei nº 19/93) passa por uma fase de inquérito público estará para consulta a partir de 8 de Setembro e prolonga-se até dia 20 de Outubro, sendo que poderá ser efectuada no Instituto de Conservação da natureza (http://www.icn.pt)/, na Câmara Municipal da Figueira, Junta de Freguesia de Quiaios, Junta de Freguesia de Buarcos e Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro.
Os interessados em participar no inquérito público poderão fazê-lo por escrito, através da ficha de participação que se encontra nos locais acima enunciados ou pelo endereço doaap@icn.pt.
A proposta dos limites já foi feita, bem como uma proposta de Decreto – Regulamentar, esperando que em breve o Cabo Mondego possa finalmente ser classificado tendo em vista a sua conservação e manutenção da sua integridade.
Relembro que o Cabo Mondego é conhecido pelos seus jazigos minerais jurássicos, um importante espólio de associações de fósseis, particularmente amonites e icnofósseis (com referências desde 1684). Por outro lado, a sua situação geográfica proporciona excelentes condições de observação e estudo, conferindo-lhe um elevado valor científico, pedagógico e didáctico.
Mas todo este processo de classificação como monumento nacional dos "Afloramentos Jurássicos do Cabo Mondego" não tem sido fácil, iniciando-se em 1978 no Serviço Geológico de Portugal. Em 1994 foi reiniciado com a apresentação formal de uma proposta de Decreto Regulamentar por ofício da Faculdade de Ciências de Coimbra (FCC) dirigido ao então Presidente do ICN, acompanhado por um extenso relatório técnico-científico. Seguiram-se uma série de iniciativas e acções com participação das três entidades envolvidas: Câmara Municipal da Figueira da Foz, ICN e Faculdade de Ciências de Coimbra.
Em 2003, foi aprovado, por iniciativa do município da Figueira da Foz, classificar o cabo Mondego como imóvel de Interesse Municipal. E só agora a sua proposta de classificação como Monumento natural.
Esta decisão é de louvar, mas peca por tardia, porque na verdade, uma parte importante do seu espólio já foi destruída, sobretudo devido à exploração da Cimpor que para produzir cal usa o mesmo calcário que encerra os vestígios fósseis do passado.
O que aconteceu foi um crime ambiental, que durou décadas, e que por interesses políticos e económicos se perdeu um património riquíssimo que jamais renascerá. Porque o Cabo Mondego, relembro, representa em toda a sua singularidade, raridade e representatividade o período da Terra entre 171 e 167 milhões de anos.
O que se espera agora é que jamais se cometem os mesmos crimes para que a história da terra perdure porque já não temos lugares de memória é precisamos de criar lugares de memória. Não se trata de avivar as memórias, o importante é criar ou recriar as memórias daquilo que terá sido a terra.
Se quiserem obter mais informações de todo este processo consulte a página:
http://portal.icn.pt/ICNPortal/vPT/
Lá poderão encontrar o Projecto do Decreto – Regulamentar, a ficha de participação e o Relatório Técnico de Fundamentação, entre outros documentos. Depois é só participar no inquérito público até dia 20 de Outubro do corrente ano.

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

quinta-feira, março 16, 2006

O problema da gestão dos recursos hidricos


2005 foi um ano um ano extremamente seco, que nos alertou para a necessidade de uma nova politica de gestão de recursos hídricos, isto sendo optimista, porque na verdade creio que no nosso país nunca houve nenhuma estratégia para o efeito.
De facto, o maior problema que actualmente vivemos é a falta duma tomada de posição que seja firme e indissolúvel, na questão da defesa dos nossos recursos hídricos. Observamos que há muita vontade, muito entusiasmo, mas, por outro lado, a prática não se vê. Muito se tem debatido sobre a questão dos recursos hídricos, e quando nos surgem problemas como o da seca severa a extrema como a do ano transacto, é que se tomam medidas. Sabemos que muitos são aqueles que desejam modificações estruturais, com a argumentação da necessidade do avanço para consolidar preceitos deste novo século. Claro que os debates são importante, mas na verdade é ainda mais imperativo estabelecer regras e verificar o que se fez no passado e o que se pode fazer para o presente, visando um futuro promissor. Não há como alavancar um determinado empreendimento, sem que tenhamos uma base de sustentação. Portanto, toda esta questão que envolve a gestão dos recursos hídricos, que não passa só pela quantidade mas, e acima de tudo pela qualidade da água de que dispomos, esta questão da degradação de toda a estrutura que a natureza nos oferece, merece uma melhor ponderação. É preciso que tenhamos a plena consciência da gravidade do assunto e possamos, assim, contribuir com a nossa tarefa, o nosso esforço pessoal, a nossa vontade maior de salvar este nosso espaço, cada vez mais perverso no sentido da disputa territorial. O que nos importa, acima de tudo, é atentarmos para o significado de que não somos os exclusivos aqui na Terra; mas que apenas pertencemos a um ecossistema e dele fazemos parte. E que nos consciencializemos que é este exclusivismo hipócrita que tem causado inúmeros prejuízos ao Planeta Terra e urge, neste novo século, partirmos para uma prática saudável, construindo um progresso necessário, sem ferir o nosso meio ambiente.
Saudações Geográficas
Liliana Azevedo