quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Mata Nacional do Choupal VS Novo traçado do IC2


A Mata Nacional do Choupal é um espaço peri-urbano vocacionado para o lazer, o recreio e a manutenção física, para além da vertente Educação Ambiental, sendo de primordial importância para a Cidade de Coimbra.
É um espaço com uma área de 79 hectares pertencente à Direcção Geral do Património cuja gestão, desde o ano de 1989, foi atribuída ao ICN.
A Mata Nacional do Choupal localiza-se junto ao rio Mondego nas freguesias de Santa Cruz e S. Martinho do Bispo, concelho e distrito de Coimbra.
Esta mata está intimamente relacionada com o rio Mondego. Com efeito com a construção, em 1791 pelo Engº Padre Estevão Cabral, do novo traçado deste Rio tornava-se essencial dar estabilidade aos terrenos marginais, pelo que se procedeu à sua reflorestação. Foram utilizadas várias espécies, entre as quais o Choupo (Populus nigra), que devido ao seu crescimento rápido dominou a paisagem durante vários anos, pelo que acabou dando o seu nome a este espaço. A Mata Nacional do Choupal, do ponto de vista fisionómico, apresenta-se como uma floresta caracterizada por um povoamento misto, irregular, de folhosas caducifólias, o que lhe confere características únicas de exploração florestal e de suporte da vida animal.
Não obstante, apesar de tamanha importância ambiental e social, esta mata, segundo notícias recentes, poderá ser amputada, uma vez que o traçado do novo IC2 em Coimbra prevê uma nova ponte sobre o rio Mondego e um viaduto sobre a Mata Nacional do Choupal.
Contudo, o que é de estranhar é que a RAVE (Rede de Alta Velocidade) quando deu a conhecer o novo traçado do TGV em Coimbra, apresentou duas soluções para a travessia do Mondego, ambas entre a Ponte-Açude e a Ponte do Caminho de Ferro, ou seja uma em viaduto e outra em túnel. Dizendo que a solução em túnel é a «melhor», de acordo com técnicos e consultores que intervieram no estudo prévio, uma vez que «terá menos impactos sócio-económicos, menos expropriações, menos demolições». (...) e que (...) no custo global, a construção sob o Rio Mondego não representa custos acrescidos, porque «marginalmente, é mais barata». (...)
O que então se pergunta é: Porque é que não se defenda idêntica solução para a travessia do IC2? O que terá a RAVE a mais que a Estradas de Portugal? Terá mais consciência ambiental? Maior respeito pelas populações? Melhores engenheiros? Melhores gestores? Um pouco de tudo?
É que é difícil entender que existam impedimentos técnicos para o IC2 passar em túnel e tal seja possível para o TGV, ainda para mais tendo a ferrovia maiores condicionantes aos desníveis que as rodovias.
No dia 29 de Janeiro do corrente ano, assistiu-se, na Casa da Cultura, a um debate, onde estiveram presentes diversas figuras públicas, muitas das quais, com maior consciência do que os engenheiros que projectaram este traçado. Deste debate resultaram diversas ideias, mas uma que ficou foi a de “ O Choupal é uma MATA NACIONAL. Funciona como um pulmão que purifica muito do oxigénio de que necessitamos e, dada a dimensão e quantidade de árvores de que é composto, nos cerca de 75 hectares, é mais eficaz que a maioria das árvores dos (poucos) jardins. A Mata é rica e nela habitam colónias de nidificantes (aves), raposas, lontras e muitas outras espécies.”
Se estas razões já por si são válidas para deixar morrer este projecto absurdo, convém realçar que este projecto teve parecer negativo pelas diversas entidades consultadas.
Quando se fala em alterações climáticas, em preservação do ambiente, biodiversidade, porque não foi equacionada uma alternativa que não seja a destruição do Choupal.
O Choupal é um bem público, é de todos nós, foi dos nossos antepassados, e deverá ser das gerações vindouras, a isto chama-se desenvolvimento sustentável, a isto chama-se consciência ambiental…
E escusam de me dizer que o facto de eu não ir ao choupal todos os dias ou pelo menos uma vez por mês, não me dá ao direito de protestar. Sim tenho o direito de achar este projecto um crime ambiental para a cidade, para o país. Tenho o direito de protestar, porque esta mata não serve apenas para lazer, contribui também para que todos tenhamos uma vida mais saudável.
E tenho o direito de protestar porque as gerações vindouras têm o direito a ter qualidade de vida.

Para os efeitos está a decorrer uma petição que é possível assinar aqui :
Petição em Defesa do Choupal
Para informações sobre esta e outras iniciativas que envolvem a defesa da Mata nacional do
Choupal podem ver aqui :
Plataforma do Choupal

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

50 Anos da erupção dos Capelinhos



Fiquem com este vídeo fantástico que nos dá a conhecer o Vulcão dos Capelinhos na Ilha do Faial, Açores.

Este documentário, da autoria de José Serra, foi feito para assinalar os 50 anos da erupção deste vulcão.
Reunindo imagens inéditas da erupção e testemunhos dos desalojados, conta ainda com a presença de Orlando Ribeiro que, com toda a sua sabedoria geográfica, nos dá a conhecer o fenómeno do último vulcão activo do nosso país.
Espero que gostem!
Se não conseguirem visualizar o vídeo podem fazê-lo aqui
Para quem quiser saber mais, pode consultar a página dedicada aos 50 anos da erupção dos Capelinhos. Lá podem visualizar dezenas de fotos, vídeo e toda a história deste vulcão.


Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

Em Defesa da Reserva Ecológica Nacional - REN

A seguir transcrevo a petição que se encontra on-line contra a municipalização da REN

"A Reserva Ecológica Nacional (REN) tem sido considerada um instrumento fundamental no Ordenamento do Território, pelo seu papel na regulação do uso de áreas de elevada sensibilidade do ponto de vista ambiental, fundamentais para o equilíbrio do território e para a segurança de pessoas e bens.
As recentes inundações na área da Grande Lisboa fizeram mostrar, mais uma vez, que o respeito pelo espírito da REN teria evitado perdas humanas e enormes prejuízos materiais.
Ainda assim, a legislação que define o regime jurídico da REN procura contribuir de forma decisiva para a salvaguarda da paisagem natural do país e para a limitação da construção em áreas do território de grande relevância ecológica, protegendo zonas envolventes das linhas de água, orlas costeiras, estuários e zonas húmidas, áreas de recarga de aquíferos e de prevenção de riscos naturais.
Pelo seu sentido de património nacional, este instrumento da política de ordenamento do território é vital para a protecção dos valores ambientais e deve manter-se sob responsabilidade do Ministério do Ambiente ou das suas instituições desconcentradas. O diploma que o Governo já anunciou pretender aprovar para revisão do regime jurídico da REN, confere competências para a sua delimitação aos Municípios, o que proporciona incompatibilidades, por ser conhecida a dependência dos Municípios e dos orçamentos municipais da necessidade de aprovar novos empreendimentos de cariz edificado.
Os signatários da presente Petição solicitam ao Senhor Presidente da República a sua intervenção para que seja rejeitada a municipalização da REN e para que qualquer revisão do regime jurídico da REN seja feita com base num prévio e amplo debate público, incompatível com o projecto de Decreto-Lei que aguarda aprovação pelo Governo.
Promotores
Abel Cunha – Ambientalista, cronista.
Ana Cristina Figueiredo - Jurista, dirigente da Quercus.
Ana Pires – Geógrafa, presidente da Pró-Urbe.
Aníbal Ramos – Inspector de ambiente.
António Eloy – Docente univ., consultor formador em energia e ambiente.
Carlos Nunes da Costa – Professor universitário, presidente do Geota.
Cláudio Torres – Arqueólogo, Prémio Pessoa, responsável Campo Arq. Mértola.
David Ferreira – Editor.
Duarte Mata – Arquitecto paisagista; ambientalista.
Francisco Ferreira - Ambientalista, dirigente da Quercus.
Gonçalo Ribeiro Telles – Professor universitário; arquitecto paisagista.
Helena Roseta – Arquitecta, vereadora CML.
João Reis Gomes – Arquitecto paisagista, ex-técnico do ICN e do Inag.
José Manuel Pureza – Docente universitário.
Manuela Raposo Magalhães – Professora universitária, arquitecta paisagista.
Maria da Graça Azevedo de Brito – Professora universitária
Marisa Matias – Professora universitária, dirigente da Pró-Urbe.
Miguel Oliveira e Silva – Docente univ.,presidente Associação Cegonha.
Nelson Peralta – Biólogo, bolseiro de investigação científica.
Paula Tavares – Bióloga, investigadora.
Paulo de Sá Caetano – Professor universitário.
Pedro Lourenço, Engº de ambiente.
Pedro Quartim Graça – Deputado, dirigente do MPT.
Pedro Soares – Docente univ., geógrafo, coordenador autárquico do BE
Rita Calvário – Eng.ª agrónoma.
Sónia Borges Coelho – Jurista, ambientalista.
Para quem quiser poderá fazê-lo através do link

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

Incêndios florestais - Quem são os verdadeiros culpados?




Os incêndios florestais são das catástrofes naturais mais graves em Portugal, não só pela elevada frequência com que ocorrem e extensão que alcançam, como pelos efeitos destrutivos que causam. Para além dos prejuízos económicos e ambientais, podem constituir uma fonte de perigo para as populações e bens.
As suas causas são variadas, sendo, na sua grande maioria, de origem humana, quer por negligência e acidente (queimadas, queima de lixos, lançamento de foguetes, cigarros mal apagados, linhas eléctricas), quer por intenção. Os incêndios de causas naturais correspondem a uma pequena percentagem do número total de ocorrências em Portugal. Contudo, mesmo tendo conhecimento de que a maioria dos incêndios no nosso país são causados pela intervenção humana, pomos a culpa no clima, que se torna o bode expiatório de tudo, porque é muito fácil dizer cada vez que há uma calamidade que é o El Niño ou o efeito de estufa, mas quem tem culpa dos fogos somos nós, portugueses, que permitimos que o ordenamento do território em Portugal esteja desta forma. O problema não é deste ou daquele Governo, foram 40 anos de negligência colectiva. Julgo que se o planeamento do território fosse maior, ajudasse no combate aos fogos e o tornasse eficaz, esse ordenamento iria contrariar a meteorologia, deixando esta de ser o único factor para a previsão e prevenção dos fogos. Na minha opinião Portugal precisa que se faça cumprir a lei, precisa que se obrigue os proprietários a limpar as matas, e na eventualidade disso não ser possível, que seja o Estado a limpá-las. Portugal precisa de um ordenamento florestal eficaz, onde não se plantem apenas eucaliptos. Portugal e os portugueses precisam de entender que para protegermos o futuro das gerações vindouras temos que, muitas vezes por de lado, as tradições, ou então alterá-las (refiro-me ás festas tradicionais que têm foguetes). Portugal precisa de tomar consciência de que a floresta é essencial à vida na terra… e enquanto isso, a culpa dos incêndios florestais vai "morrendo solteira". Lanço-vos aqui um repto. Na vossa opinião de quem é a culpa dos incêndios florestais? O que deveria ser feito para travar esta calamidade que todos os anos assola o nosso país? Curiosidades:
  • Sabia que mais do que quatro incêndios em cinco têm causas humanas?
  • Sabia que os comportamentos de negligência tais como fumar em florestas e acender fogueiras, são responsáveis pela maior parte dos incêndios
  • Sabia que 1991 foi um ano recorde em termos de área ardida em Portugal Continental: cerca de 116 000 ha. Registaram-se, em média, cerca de 230 fogos por dia e um total de 22 000 fogos?

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

quinta-feira, novembro 22, 2007

Univer(sc)idade, desafios e propostas de uma candidatura a património da humanidade


Nos próximos dias 29 e 30 de Novembro irá decorrer no Auditório do Edifício Central da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (pólo 2), um Seminário denominado de "Univer(sc)idade, desafios e propostas de uma candidatura a património da humanidade".
Neste seminário irão estar personalidades reconhecidas nas suas mais diversas áreas, e onde o tema central será a candidatura da Universidade de Coimbra a Património Mundial da Humanidade que a Universidade de Coimbra e a Câmara Municipal de Coimbra estão a preparar, sendo que os principais objectivos são conhecer e questionar os diferentes métodos, técnicas e práticas operativas hoje adoptadas nas acções de reabilitação, salvaguarda e valorização do património, com o objectivo de estabelecer as bases de uma metodologia de abordagem que seja comum às duas instituições e que possa ser aplicada num território tão complexo como fascinante, denominado de “Univer(sc)idade”. Sendo esta candidatura mais do que uma pretensão classificativa, ela é também uma nova forma de pensar e sentir o território... de interagir com a cidade e a sua história, de criar estratégias eficazes, capazes de respeitar os conceitos e preceitos desenvolvidos e aceites pela UNESCO e as exigências actuais da construção de um desenvolvimento sustentável. Assim sendo, aqui fica uma sugestão!
Para mais informações consultem o site da Universidade de Coimbra
Programa completo do seminário: Clica Aqui

Saudações Geográficas

Liliana Azevedo

terça-feira, outubro 09, 2007

Cabo Mondego passa a Monumento Natural


Depois de alguns posts relativos ao Cabo Mondego e à intensa destruição de que foi alvo ao longo de décadas, eis que surge finalmente uma boa noticia para aqueles que, tal como eu, têm vindo a defender a sua classificação.
É verdade…. Depois de longas batalhas, o Cabo Mondego passou a ser Monumento Natural, para a manutenção da sua integridade, segundo um decreto regulamentar publicado em Diário da República a 3 de Outubro. Segundo o Decreto Regulamentar nº 82/2007, de 3 de Outubro, o local tem um “valor científico, pedagógico e didáctico inexcedível, para além do seu grande interesse geomorfológico e notável qualidade paisagística”, são considerados de “excepcional importância” os afloramentos jurássicos do Cabo Mondego. A sua gestão ficará a cargo do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), sendo que segundo o decreto regulamentar, dentro dos limites do monumento natural são proibidos a exploração dos recursos geológicos e outros, a abertura de novas vias de acesso, a alteração da morfologia do terreno e do coberto vegetal, o lançamento de efluentes, deposição de entulhos, prática de actividades desportivas motorizadas, entre outras actividades. Esperemos sinceramente que esta seja uma nova etapa na forma como Portugal vê o seu património, não só o natural, mas também o geológico que, no caso do Cabo Mondego representa em toda a sua singularidade, raridade e representatividade o período da Terra entre 171 e 167 milhões de anos.

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

domingo, agosto 26, 2007

VI Congresso da Geografia Portuguesa


Entre os próximos dias 17 e 20 de Outubro do corrente ano realiza-se o VI Congresso da Geografia Portuguesa. Este congresso terá lugar na Universidade Nova de Lisboa e versa sobre os seguintes eixos temáticos:
A. Portugal, Europa e Espaço Lusófono: articular territórios B. Ensino da Geografia: novas competências, novos desafios C. Planeamento e Gestão do Território: culturas e práticas D. Ambiente: recursos, riscos e sustentabilidade E. Informação Geográfica e Decisão Para mais informações sobre este evento podem ser consultadas em:
* Departamento de Geografia e Planeamento Regional da UNL;
* Associação Portuguesa de Geógrafos;

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

quinta-feira, junho 21, 2007

Ferramenta GeoPDF



Numa das minhas pesquisas pela Internet encontrei uma ferramenta que, na minha opinião, achei fantástica. Chama-se GeoPDF. O nome já diz tudo, ou seja, dá ao Adobe Reader funcionalidades idênticas às de um SIG.
Ou seja, podemos, dentro do documento PDF, activar e desactivar layers, fazer buscas com parâmetros espaciais (coordenadas), medir distâncias, áreas, realizar um “track” via GPS, desde que devidamente conectado ao notebook, desenhar e escrever comentários directamente no mapa, entre outros recursos só possíveis com a versão paga. Para publicar mapas neste formato é necessário instalar uma extensão disponível para ARCGIS ou Geomedia e, para visualizar os mapas no Adobe Reader é preciso instalar esse plugin. A página oficial do produto com acesso à versão experimental (ArcGIS e Geomedia) é a seguinte: http://www.terragotech.com/

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

terça-feira, junho 19, 2007

Nasa World Wind, ganha versão Open-Source via SDK (Código Aberto)


Se já alguma vez ouviste falar do Nasa World Wind, que não é mais que um software que oferecia uma visão do Globo antes mesmo da existência do famoso Google Earth e se também já ouviste falar da linguagem Java aqui fica uma notícia que te pode interessar.
Através duma pareceria entre a Nasa e a Sun Microsystems o software Nasa World Wind, ganhou uma versão Open-Source via SDK (Código Aberto), em outras palavras, qualquer um agora pode ter um "Globe service" totalmente aberto a customizações e ao desenvolvimento de novas funcionalidades.
Contudo a diferença agora é que temos uma aplicação que vai permitir que a comunidade mundial de desenvolvedores possa criar o que quiser dentro do software, surgindo assim novas funcionalidades, melhoria, etc. Este facto terá com certeza impacto directo nos concorrentes Google Earth, Virtual Earth, Skyline, entre outros, já que, provavelmente terão que começar a pensar em abrir o código dos seus produtos.
Resumindo, quem sai beneficiado com este novo software em open source somos todos nós que não percebemos nada de programação (falo por mim).

E para o caso de quem ainda não conhecer a versão original do NASA WORLD WIND é possível fazer o download do software a partir daqui.


Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

quarta-feira, maio 30, 2007

Dia Mundial da Energia

Para assinalar o Dia Mundial de Energia, a ERSE disponibiliza a partir de hoje um simulador de potência contratada com o objectivo de ajudar os consumidores a reduzir a factura. E aponta que os consumidores domésticos portugueses pagam mais 18 por cento do que os espanhóis.
O simulador disponibilizado pela ERSE, em www.erse.pt, permite a cada consumidor estimar a potência a contratar com o seu fornecedor de electricidade mediante o conhecimento dos equipamentos eléctricos que possui em casa e da sua utilização habitual.
As previsões apontam que o consumo mundial de energia vai crescer 57% entre 2004 a 2030, sobretudo através da procura dos países fora da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE). Apesar dos elevados preços do petróleo e do gás, o ’Energy Outlook 2007’ refere que a procura mundial de energia vai continuar a aumentar.
É urgente todos participarmos na diminuição do consumo de energia com "pequenos grandes" actos, verificando-se benefícios em termos AMBIENTAIS e ECONÓMICOS.
Assim aqui ficam algumas dicas importantes:
DESCUBRA FORMAS FÁCEIS DE POUPAR DINHEIRO NA LUZ
Como poderá ser eficiente e poupar no uso que faz de electricidade, que ainda o permitirá gastar menos dinheiro?
Para começar, privilegie as soluções de iluminação baseadas em lâmpadas fluorescentes, quer as clássicas de tubos, quer as compactas. Uma lâmpada de baixo consumo de 20 Watts (W) proporciona a mesma luz que uma lâmpada convencional de 100 W, sendo que, ao final de um ano, terá uma poupança de cerca de 3 euros por cada hora diária de utilização.
Outra atitude que faz toda a diferença é desligar as luzes quando deixa de utilizar os espaços.
Utilize racionalmente os dispositivos de protecção de luz das janelas, como estores ou persianas, de modo a evitar deixar aquecer desnecessariamente os espaços no Verão. No entanto, no Inverno, consoante a exposição solar, a situação pode ser a inversa. Consome mais energia e é mais caro refrigerar ou aquecer um espaço do que iluminá-lo.
Se não conseguir evitar a utilização de lâmpadas muito potentes, use reguladores de intensidade nesses dispositivos de iluminação.
Os abat-jours muito opacos são outro tipo de iluminação que podem sair caros, já que obrigam a utilização desnecessária de lâmpadas mais potentes.
Um conselho já conhecido é o isolamento dos espaços onde instalar fontes de aquecimento ou arrefecimento localizadas, por exemplo, caloríficos e ar condicionado, fechando e calafetando devidamente portas e janelas.
USO INTELIGENTE DOS ELECTRODOMÉSTICOS PODE CORTAR GASTOS COM ELECTRICIDADE
Na utilização de equipamentos informáticos, algumas dicas podem ajudá-lo a poupar e bastante.
A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) recomenda que compre aqueles que tenham com sistemas de poupança de energia «Energy Star» e desligue-os sempre que preveja ausências de utilização superiores a 30 minutos.
Relativamente aos aparelhos electrodomésticos, desligue-os no interruptor em vez de os deixar em «stand by». Se possível, ligue alguns equipamentos como televisão, vídeo, DVD ou equipamentos de som, a uma base ligação múltipla com interruptor. Assim, ao desligar esse interruptor vai apagar todos os equipamentos e poupar mais de 40 euros por ano.
A ERSE recomenda também que o equipamento de ar condicionado esteja sempre a uma temperatura de 22 a 24ºC.
Poupanças de 30% com frigorífico - Quando falamos dos electrodomésticos, as poupanças também podem ser significativas. Experimente usar, sempre que possível, os electrodomésticos com etiquetagem de energia da classe A+ ou A++. Aqui, vai também ganhar se o frigorifico for colocado num lugar fresco e ventilado e longe de possíveis fontes de calor (fogão, forno e radiação solar). Ajuste o termóstato de forma a manter uma temperatura de 5º no compartimento de refrigeração e de menos 18º no compartimento de congelação. Descongele antes que a capa de gelo alcance os 3 milímetros (mm) de espessura e vai conseguir poupanças de energia de cerca de 30%. Pode ainda limpar uma vez por ano a parte traseira do equipamento e abra a porta o menos possível, além de fechá-la assim que possível.
Em relação à máquina de lavar e/ou secar a roupa, procure adquirir equipamentos bitérmicos (puxadas de água independentes: uma para a água fria e outra para a água quente) que utilizam a água pré-aquecida por outras fontes mais eficientes (esquentador ou caldeira a gás). Procure trabalhar sempre com a carga máxima e use os programas de baixa temperatura (excepto quando a roupa está muito suja). Centrifugar gasta ainda muito menos energia para secar a roupa do que utilizar a opção de secagem.
Já com a máquina de lavar a loiça, deve seleccionar o tamanho do equipamento em função das suas necessidades e procure trabalhar sempre com a carga máxima. Também manter sempre cheios os depósitos de sal e abrilhantador vão permitir-lhe gastar menos dinheiro porque reduzem o consumo de energia na lavagem e secagem.
E menos 20% com forno - Com o forno, abra-o só se necessário porque cada vez que o faz está a ter uma perda energética de pelo menos 20%. Procure aproveitar ao máximo a capacidade do forno e cozinhe, se possível, de uma só vez o maior número de alimentos. Ao contrário do que pode pensar, não é necessário aquecer previamente o forno para cozinhados superiores a 1 hora. Apague também o forno um pouco antes de finalizar a confecção uma vez que o calor residual será suficiente para acabar o processo.
Sobre os pequenos electrodomésticos (ferro de passar, torradeira, aspirador), há maneiras eficientes de os utilizar. Por exemplo, não os deixar ligados se vai interromper a tarefa e aproveitar o calor residual do ferro para passar alguma quantidade de roupa.
Quanto ao esquentador, em caso de ausências prolongadas, desligue-o. Para além de poupar gás, evita a acumulação de resíduos da combustão e reduz a emissão de gases com efeito de estufa.

Um outro ponto importante é verificar a sua factura de electricidade: analise se a potência contratada é adequada ao consumo real da instalação ou se poderá reduzi-la. Sites como o da própria ERSE, DECO ou da EDP permitem fazê-lo. Por fim, confirme se os seus consumos privilegiam horários que beneficiariam da tarifa bi-horária, em que a energia é mais barata nas horas de vazio (à noite e aos fins de semana) e opte por esta, em caso afirmativo.

SAIBA COMO PODE GASTAR MENOS ENERGIA ESTE VERÃO
Há várias formas de conseguir reduzir os custos com o consumo de energia em casa, de acordo com as recomendações da própria EDP. Saiba como vai reduzir a sua factura.
Para começar, um bom isolamento térmico é sempre uma forma de evitar as perdas de calor e as infiltrações e, assim, não há tanta necessidade de investir em sistemas de climatização. Por exemplo, calafetar portas e janelas com fita adesiva de espuma (indicada para o efeito) é 5% de energia que se poupa. Já ao isolar as paredes, chão e tecto, consome-se menos 30%. Isto percebe-se pelo facto de cerca de 60% da energia dos sistemas de aquecimento ser desperdiçada ao escapar por zonas que podem ser facilmente isoladas.
Quanto à climatização, as temperaturas consideradas de conforto para uma casa variam entre os 18ºC, no Inverno, e os 25ºC, no Verão. Assim, para obter estas temperaturas pode-se escolher o vestuário adequado à estação do ano, mesmo dentro de casa, sendo que no Verão deve-se evitar a entrada dos raios solares directos durante o dia e facilitar a ventilação natural de noite, abrindo as janelas em lados opostos da casa.
A iluminação é também um factor muito importante para os gastos com a energia uma vez que representa cerca de 10 a 15% do consumo de electricidade de uma habitação. Por isso, deve-se aproveitar ao máximo a luz solar para evitar acender lâmpadas durante o dia. Além disso, pode-se desligar a luz quando esta não for necessária ou instalar sensores de movimento nos locais de passagem. Uma boa dica são as lâmpadas fluorescentes compactas que dão a mesma luz, mas gastam menos 80% de energia.
Desligar televisão sem comando dá poupança de 20 euros
Com o ar condicionado, a EDP recomenda que se verifique o isolamento da casa quando este estiver a funcionar, mas como alternativa pode-se recorrer à ventilação natural ou a ventoinhas, se o calor não for abrasador.
A televisão é também um equipamento com gastos, muitas vezes, desnecessários. Para reduzi-los convém não ligá-la só para servir de companhia, nem adormecer com ela ligada. Outro conselho útil é desligar a televisão no botão, em vez de a desligar no comando. Uma medida que pode levar a poupanças bastante significativas. Segundo a EDP, uma família média portuguesa poderá poupar cerca de 20 euros por ano e 100 kg CO2.
Responsáveis pela maior parte do consumo de electricidade no sector residencial são os equipamentos como os frigoríficos e os combinados. Só 20% do seu consumo deve-se à abertura das portas, pelo que se deve tentar reduzir este tempo. E em período de férias ou de ausência prolongada é uma boa ideia esvaziar o frigorifico e desligá-lo.

PORTÁTIL MAIS ECONÓMICO EM 90% QUE COMPUTADOR TRADICIONAL
O computador é já quase considerado um electrodoméstico e também consome muita energia. Aqui, os conselhos da EDP passam por desligar todo o equipamento quando não estiver a ser utilizado, programar o computador para se desligar automaticamente e, ainda, optar por portáteis que são bastante mais económicos. Este tipo de computador pode consumir até menos 90% de energia do que um tradicional.

VAMOS TODOS AJUDAR A SALVAR O NOSSO PLANETA...

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

quinta-feira, maio 03, 2007

Cartografia de risco….das bacias hidrográficas!!!

Segundo as notícias recentes, parece que é desta que a avaliação de avaliação de riscos ambientais está a tentar dar um passo de gigante no nosso país.
Portugal fazer um estudo exaustivo através da realização de cartografia das zonas de maior risco e os planos de gestão das bacias dos rios internacionais (Douro, Tejo, Guadiana, Lima e Minho).
Esta é uma medida abrangida pela nova legislação sobre avaliação e gestão de inundações, aprovada pelo Parlamento Europeu, ao mesmo tempo que exige uma coordenação comum das bacias hidrográficas. Uma medida vital para que haja uma maior avaliação e gestão não só dos caudais mas dos impactos que esses poderão ter. O objectivo é criar um quadro legislativo com vista a proteger a saúde das populações, o meio ambiente, o património cultural e as actividades económicas.
Contudo considero que Portugal deveria aproveitar e elaborar uma cartografia de riscos, não apenas dos rios internacionais, mas também para outras bacias hidrográficas, como por exemplo o Sado e o Zezêre que são rios nacionais e que apresentam também um risco acrescido para as populações em caso de inundações.

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

The BioDaVersity...Code


A organização ambientalista WWF convida-nos a reflectir um pouco sobre alguns dos problemas ambientais que afectam o nosso planeta através de um excelente flash inspirado no filme "Código de DaVinci". Divirtam-se enquanto reflectem! http://assets.panda.org/custom/flash/daversitycode/

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

sexta-feira, novembro 24, 2006

Climático ou climatérico

Transcrevo para este espaço um comentário do senhor professor António Lopes a propósito do uso destes dois termos. Trata-se de uma contribuição valiosa, acerca da confusão que costuma existir entre estes dois termos.
"Acerca da utilização indevida do termo Climatérico - este termo é frequente e incorrectamente usado tanto como sinónimo de Estado do Tempo , como de Clima. É o resultado da influência que o francês teve sobre a nossa língua, devendo por isso ser classificado como um Galicismo,Barbarismo ou Estrangeirismo.

1) Em primeiro lugar não deve ser usado na nossa língua porque existem termos em português que definem as condições atmosféricas momentâneas, às quais geralmente se querem referir aqueles que o usam. Neste caso é aconselhável o uso de "estado da atmosfera" "estado do tempo" ou "condições atmosféricas".
2) Também não deve ser utilizado como sinónimo de "climático" porque o clima é definido por um conjunto de repetições de estados do tempo típicos, que lhe conferem características médias, empiricamente previsíveis, e com ritmos anuais e mensais mais ou menos bem definidos. A Organização Meteorológica Mundial propõe a utilização de períodos não inferiores a 30 anos para definir um tipo climático (normal climatológica). Também neste caso não é lógico utilizar o termo "climatérico" porque raramente é utilizado com este sentido e, quando o é, já existe um termo em Português - CLIMÁTICO.
3) Por último, mas não menos importante, climatérico é referente ao climatério, que significa Menopausa. "
António Lopes, Professor Auxiliar da Universidade de Lisboa

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

domingo, outubro 01, 2006

GIS Day é já a 15 de Novembro


Um Sistema de Informação Geográfica ( SIG ou GIS - Geographic Information System, do acrónimo inglês) é um sistema de hardware, software, informação espacial e procedimentos computacionais, que permite e facilita a análise, gestão ou representação do espaço e dos fenómenos que nele ocorrem. Os SIG’s assumem uma importância cada vez maior em diversas áreas, podendo utilizar-se na maioria das actividades com uma componente espacial, da cartografia a estudos de impacto ambiental ou da prospecção de recursos ao marketing. A profunda revolução que provocaram as novas tecnologias afectou decisivamente a evolução da análise espacial. Os SIG, são actualmente utilizados nos mais variados mercados e indústrias, podendo servir quase todas as áreas da engenharia. Eles oferecem dados geográficos e ferramentas de análise espacial, que estão ao alcance dos utilizadores através dos seus computadores, servidores, Internet ou intranets. Actualmente, os SIG servem muitas áreas, para além da tradicional área geográfica. A utilização dos SIG como ferramenta de ajuda à tomada de decisão tem vindo a crescer exponencialmente nos últimos anos. No entanto, a matéria-prima dos SIG é sempre a informação geográfica, resultante dos dados geográficos que são inseridos no sistema. Os dados geográficos são a informação que representa as entidades existentes à superfície da Terra, através da sua posição num sistema de coordenadas geográficas bem definido. E podem dar-se como exemplos de informação geográfica os mapas topográficos digitalizados, as imagens de satélite, os mapas baseados em fotografias aéreas e os modelos de elevação do terreno. Através dos SIG, essa informação é organizada em temas, e armazenada em bases de dados, por isso, um SIG integra, normalmente, um elemento de manipulação gráfica e um sistema de gestão de bases de dados. Porque os SIG’s são cada vez mais uma ferramenta indispensável na sociedade actual, no próximo dia 15 de Novembro será celebrado em todo o mundo o GIS Day. O GIS Day (Dia Mundial dos Sistemas de Informação Geográfica), é uma iniciativa integrada na Geography Awareness Week, que tem como principal objectivo, demonstrar a importância da Geografia em especial dos Sistemas de Informação Geográfica (SIG), para o nosso quotidiano, informando sobre as suas potencialidades e divulgando os trabalhos produzidos à comunidade. São mais de 700 organizações de 65 países que participam nas actividades do GIS Day, sendo que o tema deste ano é “Migração: a Jornada Humana". Além da National Geographic, também patrocinam o evento a ESRI, Hewlett-Packard, Sun Microsystems e a Associação de Geógrafos Americanos, entre outras instituições de peso. Se quiser obter mais informação acerca deste evento, pode visitar o site http://www.gisday.com/ lá poderá encontrar diversas informações, jogos, programas, e outros dados interessantes para que possa ficar mais esclarecido (para quem ainda não está), do que são os Sistemas de informação Geográfica, para que servem e quais as suas potencialidades.

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

sexta-feira, agosto 25, 2006

Competências de um Geógrafo

Este post vem a propósito de um comentário feito por um geógrafo (Paulo Moreira) a uma notícia por e que me parece oportuno divulgar e acrescentar mais qualquer coisa. A notícia está relacionada com o facto de o LNEC ir desenvolver um projecto para a criação de mapas digitais de risco que abrange as áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa para permitir um maior controlo dos grupos de criminosos.
O comentário, feito por este Geógrafo é a seguinte: “De facto estamos num país de arquitectos, engenheiros, advogados e pouco mais. O resto é paisagem… No caso concreto assistimos a engenheiros a elaborar cartografia temática sobre áreas de risco para o combate à criminalidade. Concluo agora que um engenheiro serve para todo e qualquer serviço. Ninguém sabe ao certo onde começam e acabam as suas competências. Entretanto, outras áreas académicas ficam esquecidas e não saem do
marasmo pois não lhes é dada qualquer oportunidade. Enfim, só neste país.
Alguém sabe o que é um geógrafo? Acho que a maioria nunca ouviu falar e a minoria pensa que é alguém que lecciona e sabe tudo sobre países e capitais.
Pois bem, o tipo de projecto atribuído ao LNEC?!!! encaixa na perfeição no quadro de competências de um geógrafo (recolha de informação de dados relativos a actividades criminosas, elementos demográficos, urbanísticos, GPS, (…). O projecto, realizado no âmbito do programa “Metrópoles seguras”, está mais relacionado com a Geografia do que com a engenharia Civil, não concordam?
Deveríamos pois aprender com outros países onde o Geógrafo tem um papel muito diferente daquele que lhe é atribuído pelo nosso país. São inúmeros os exemplos onde equipas que desenvolvem este tipo de projectos (baseados num sistema de informação geográfica) são coordenados e integram estes profissionais. (…)”

Eu acrescento, que no nosso país fazem-se projectos onde quase sempre só entram engenheiros e arquitectos, esquecendo-se sempre, ou quase sempre, que existem profissões com mais competência para exercer determinadas funções, nomeadamente em estudos de impacte ambiental, em estudo geomorfologicos, geológicos… e aqui não falo apenas do Geógrafo.
Assim sendo, e para aqueles que consideram que as funções dum Geógrafo se baseiam exclusivamente ao ensino, e também para aqueles que não fazem a mínima ideia do que é ser Geógrafo. E porque nós temos orgulho em sê-lo e porque para quem não sabe, a profissão de Geógrafo foi umas das primeiras a ser reconhecidas no país aqui vai a explicação:
Os geógrafos estudam fenómenos físicos e humanos às escalas local, nacional ou mundial. Estudam a sua distribuição no espaço e procuram identificar os factores explicativos e as consequências dessa distribuição. A resposta à primeira questão é essencialmente descritiva; o estudo das causas e das inter-relações que explicam os padrões geográficos envolve teoria e análise. A geografia procura também interpretar os significados dos territórios, considerando, para o efeito, as dimensões identitárias dos lugares.
Com as informações recolhidas nos seus estudos, e após a análise das inter-relações entre os diversos fenómenos, os geógrafos elaboram estudos integrados, relatórios e mapas que caracterizam o espaço e os diferentes fenómenos físicos e humanos, emitindo pareceres e recomendações que são de grande importância no apoio às decisões políticas em variados sectores da sociedade, contribuindo com o seu saber e capacidade de interpretação do espaço para o ordenamento do território e para o desenvolvimento territorial equilibrado. Os seus trabalhos são particularmente utilizados na elaboração de Planos Regionais de Ordenamento do Território, Planos Directores Municipais (planos de ordenamento do território municipal) e no planeamento urbanístico, assim como na formulação e avaliação de políticas territoriais (locais, urbanas e regionais) ou sectoriais com impacte espacial (ambiente, economia, cultura, sociais, …).
A avaliação das situações de perigo e risco e os contributos para o ordenamento biofísico envolvem o estudo de fenómenos físicos. Neste sentido, são desenvolvidos trabalhos relativos à geomorfologia, o tipo de solo, as condições climáticas e a vegetação natural de determinada área. Estudam a evolução das formas de relevo – montanhas, vales, planaltos, …– e individualizam unidades geomorfológicas no território. Realizam, igualmente, estudos hidrológicos, especialmente sobre o funcionamento dos hidrossistemas (bacias hidrográficas e aquíferos). Os geógrafos dedicam-se, também, ao estudo e classificação das associações vegetais características de uma região: registam o tipo de plantas predominantes nos diferentes estratos (herbáceo, arbustivo e arbóreo) e a extensão de território que ocupam, classificando as associações segundo as suas características biogeográficas, como por exemplo as florestas (mediterrânica, equatorial, tropical), ou os ecossistemas agrícolas.
Em relação às condições climáticas, os geógrafos analisam, entre outros parâmetros, a variação da precipitação, a amplitude térmica, a velocidade e direcção dos ventos e a influência das altas ou baixas pressões atmosféricas. De acordo com as informações obtidas, cabe-lhes classificar o clima de uma determinada área em estudo, obedecendo às tipologias estabelecidas, assim como as suas diferentes cambiantes). O estudo do clima urbano – variações da temperatura, dinâmica particular do vento – e a avaliação do conforto/desconforto humano e a qualidade de vida nas cidades constituem os principais domínios de integração do clima no planeamento urbano.
Na perspectiva da análise da ocupação humana do território, geógrafos estudam as dinâmicas natural e migratória da população, o tipo de povoamento, as dinâmicas da rede urbana (metropolização, urbanização difusa, policentrismo, …), as actividades económicas e a distribuição dos equipamentos e infra-estruturas. Igualmente relacionada com a ocupação do espaço está a análise das actividades económicas desenvolvidas pela população. Neste âmbito, os geógrafos registam, entre outros, o tipo de agricultura praticado (produtos cultivados, máquinas utilizadas, extensão de terreno cultivada, etc.), a indústria existente (produtos fabricados, localização das unidades fabris, factores de produção, etc.) e a presença do sector terciário (localização, diversidade das actividades, segmentação, mercados, etc.). Efectuam, ainda, estudos de programação dos equipamentos sociais, tais como os estabelecimentos de educação, saúde, culto e lazer, bem como a distribuição das infra-estruturas, designadamente vias de transporte, comunicação e logística.
Apesar das inter-relações entre fenómenos físicos e humanos, é normal estes profissionais optarem por trabalhar apenas numa destas áreas. Podem, inclusive, especializar-se num determinado tipo de estudos: económicos (dotação de recursos, especialização da base económica e dinâmicas de inovação), sociais e culturais (a coesão social, a etnicidade e as vivências e práticas culturais), políticos (relação do território com os fenómenos políticos locais, nacionais e internacionais), urbanos e de transportes (organização das cidades e das áreas metropolitanas), rurais (desenvolvimento local e capacidade institucional) e ambientais e paisagísticos (planeamento biofísico e defesa do património natural ou construído).
Para executarem o seu trabalho, os geógrafos recorrem com frequência a técnicas de análise estatística e às tecnologias de informação e comunicação. É o caso dos sistemas de informação geográfica, que permitem obter, armazenar, classificar, tratar e analisar informação espacialmente referenciada, essenciais para a identificação e explicação dos padrões espaciais e para a construção de modelos vocacionados para a intervenção no ordenamento do território. Como tal, são cada vez mais utilizadas as ferramentas computacionais na análise geográfica.
Além disso, para ser geógrafo é conveniente possuir, entre outras características, curiosidade científica, gosto pela observação e capacidade para interpretar os fenómenos naturais e humanos, facilidade em usar mapas e propensão para o trabalho de grupo. De resto, esta é uma profissão em que é raro o trabalho individual: dependendo do estudo em curso, assim se constituem equipas pluridisciplinares com arquitectos, paisagistas, economistas, sociólogos, urbanistas, engenheiros civis, geólogos, meteorologistas, etc.

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

quarta-feira, agosto 23, 2006

Cabo Mondego vai ser Monumento Natural


Depois do post escrito no passado sobre o Cabo Mondego, hoje, este deixa-me especialmente feliz, porque parece que finalmente, e depois de mais de uma década, o Cabo Mondego irá em breve ser classificado como o sexto monumento natural Português, devido às suas características geológicas.
A proposta foi feita pelo Instituto de Conservação da Natureza e o procedimento administrativo inerente à classificação, (Decreto-Lei nº 19/93) passa por uma fase de inquérito público estará para consulta a partir de 8 de Setembro e prolonga-se até dia 20 de Outubro, sendo que poderá ser efectuada no Instituto de Conservação da natureza (http://www.icn.pt)/, na Câmara Municipal da Figueira, Junta de Freguesia de Quiaios, Junta de Freguesia de Buarcos e Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro.
Os interessados em participar no inquérito público poderão fazê-lo por escrito, através da ficha de participação que se encontra nos locais acima enunciados ou pelo endereço doaap@icn.pt.
A proposta dos limites já foi feita, bem como uma proposta de Decreto – Regulamentar, esperando que em breve o Cabo Mondego possa finalmente ser classificado tendo em vista a sua conservação e manutenção da sua integridade.
Relembro que o Cabo Mondego é conhecido pelos seus jazigos minerais jurássicos, um importante espólio de associações de fósseis, particularmente amonites e icnofósseis (com referências desde 1684). Por outro lado, a sua situação geográfica proporciona excelentes condições de observação e estudo, conferindo-lhe um elevado valor científico, pedagógico e didáctico.
Mas todo este processo de classificação como monumento nacional dos "Afloramentos Jurássicos do Cabo Mondego" não tem sido fácil, iniciando-se em 1978 no Serviço Geológico de Portugal. Em 1994 foi reiniciado com a apresentação formal de uma proposta de Decreto Regulamentar por ofício da Faculdade de Ciências de Coimbra (FCC) dirigido ao então Presidente do ICN, acompanhado por um extenso relatório técnico-científico. Seguiram-se uma série de iniciativas e acções com participação das três entidades envolvidas: Câmara Municipal da Figueira da Foz, ICN e Faculdade de Ciências de Coimbra.
Em 2003, foi aprovado, por iniciativa do município da Figueira da Foz, classificar o cabo Mondego como imóvel de Interesse Municipal. E só agora a sua proposta de classificação como Monumento natural.
Esta decisão é de louvar, mas peca por tardia, porque na verdade, uma parte importante do seu espólio já foi destruída, sobretudo devido à exploração da Cimpor que para produzir cal usa o mesmo calcário que encerra os vestígios fósseis do passado.
O que aconteceu foi um crime ambiental, que durou décadas, e que por interesses políticos e económicos se perdeu um património riquíssimo que jamais renascerá. Porque o Cabo Mondego, relembro, representa em toda a sua singularidade, raridade e representatividade o período da Terra entre 171 e 167 milhões de anos.
O que se espera agora é que jamais se cometem os mesmos crimes para que a história da terra perdure porque já não temos lugares de memória é precisamos de criar lugares de memória. Não se trata de avivar as memórias, o importante é criar ou recriar as memórias daquilo que terá sido a terra.
Se quiserem obter mais informações de todo este processo consulte a página:
http://portal.icn.pt/ICNPortal/vPT/
Lá poderão encontrar o Projecto do Decreto – Regulamentar, a ficha de participação e o Relatório Técnico de Fundamentação, entre outros documentos. Depois é só participar no inquérito público até dia 20 de Outubro do corrente ano.

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

quarta-feira, maio 31, 2006

Ministério do Ambiente aprova mais um novo campo de Golfe numa área protegida

A expansão das actividades turísticas têm reformulado o padrão de oferta em concordância com uma procura cada vez mais exigente. Os empreendimentos turísticos não se limitam a ter infra-estruturas para acomodação; existe uma panóplia de actividades de lazer combinadas com a valorização dos recursos naturais.
A prática do golfe começa a ter em Portugal, uma importância real e crescente, sobretudo na região do Algarve. Não obstante, tal como outro sector económico ocupa espaço, consome recursos e têm custos ambientais que podem ser considerados.
E para não variar, aí vem mais um novo campo de golfe.....
Apesar da Comissão de avaliação o reprovar, o Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, deu luz verde ao "Empreendimento Lagoa da Vela Golf”, na Figueira da Foz, ao emitir uma Declaração de Impacte Ambiental favorável condicionada, sendo que, para a sua construção existirão alguns condicionalismos que terão de ser tidos em conta pelos promotores do empreendimento que prevê um campo de golfe de 9 buracos e 224 habitações, numa área de 100 hectares abrangida pela Directiva Europeia Habitats e classificada como Sítio da Rede Natura.
Se pensarmos apenas em aspectos economicistas, este empreendimento é bem capaz de trazer benefícios. Contudo, mais que os aspectos económicos importa salientar os inúmeros impactos ambientais que ele trará, e que negativamente, afectarão mais população do que aquela que vai usufruir deste novo espaço, que como se sabe é apenas uma pequenina minoria.
Quando muito se tem falado em gestão de recursos hídricos, nos cada vez mais episódios de seca em Portugal, na protecção e valorização da paisagem, como é possível que para ceder aos caprichos de meia dúzia de pessoas, se possa prejudicar milhares de outras, se possa destruir uma área tão rica ao nível paisagístico, espécies, como é que é possível que isto ainda aconteça?
Se pensarmos nos impactos que os campos de golfe têm, facilmente percebemos que num país como o nosso, a sua implementação não faz qualquer sentido.
Para além dos impactes directos na geologia e geomorfologia, associado às escavações e movimentação de terras, todos os trabalhos durante a fase de construção poderão potenciar a erosão hídrica, além da possível alteração do escoamento superficial.
Afecta igualmente, quer a quantidade, e mais grave que tudo, a qualidade da água, uma vez que as escorrências sub-superficiais apresentarão elevados níveis de contaminação química.
Já para não falar das implicações significativas que tal empreendimento terá na paisagem, que lembro é abrangida pela Directiva Europeia Habitats e Sítio da Rede Natura, de espécies que poderão, quase de certeza desaparecer, de implicações que trará nos ecossistemas, entre outros.
Poderão dizer que um campo de golfe, potenciará o turismo, mas lembro que este tipo de turismo, deverá ser sempre sustentável; cumprir critérios de sustentabilidade sociais, culturais, ecológicos e económicos; ter uma visão a longo prazo, ser sustentável economicamente e, acima de tudo, ecologicamente. Não pode, nem deve ter apenas em consideração os benefícios privados e económicos.
É necessário e urgente pensar de forma sustentada, agir de forma ponderada, consciencializarem-se de que o planeta terra, a paisagem é de todos e não apenas usufruto de alguns!

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

sexta-feira, abril 28, 2006

Novo site na internet disponibiliza ajuda aos cidadãos sobre os ecopontos e a reciclagem

De certo, todos já tiveram a possibilidade de assistir na televisão àquele anúncio onde diversas crianças fazem perguntas, como aquela “Porque é que a rua do Manel tem um ecoponto e a minha não?”, ou mesmo aquela frase “Explica-me como se eu fosse uma criança de 4 anos!”
Pois bem, para dar resposta a estas e outras perguntas, a sociedade Ponto Verde e o Grupo de Estudos de Ordenamento do Território (GEOTA) lançaram recentemente um novo espaço na Internet, cuja principal “missão” é ajudar os cidadãos a localizarem os ecopontos da sua área de residência e que também lhes permite dar sugestões para melhorar o seu funcionamento.
Através deste novo site, os utilizadores dos ecopontos podem participar, esclarecer e sugerir soluções tendo em vista a melhoria da recolha selectiva do lixo através dos ecopontos. Paralelamente, este espaço disponibiliza ainda variada informação acerca da separação de embalagens, ecopontos e ecocentros, centros de triagem, tratamento de resíduos e reciclagem, entre outros, para que todos nós possamos contribuir para o processo da separação conveniente do lixo.
De facto mais uma iniciativa de louvar, ainda que muito haja para que Portugal e todos os portugueses possam definitivamente consciencializar-se para a importância que a separação do lixo tem para a sociedade e acima de tudo para o Ambiente, como por exemplo a existência de mais ecopontos em pontos estratégicos e em zonas carenciadas – no meu caso por exemplo, não existe um único ecoponto por perto!
O site é http://www.omeuecoponto.pt

Aqui fica o último vídeo feito pela Sociedade Ponto Verde, em mais uma das suas fabulosas campanhas!

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

domingo, abril 02, 2006

Criação do Sistema Nacional de Exploração e Gestão de Informação Cadastral

Os sistemas de informação Geográfica são cada vez mais uma ferramenta importantíssima em questões como o Ordenamento do Território. Para tal é importante que seja criado um sistema de informação que permita a articulação dos dados de todas as entidades de forma coerente e consentânea, de forma a não haver uma anarquia completa dos mesmos. Assim sendo, o conselho de ministros aprovou no 23 de Março do corrente ano, a criação de um sistema Nacional de Exploração e Gestão Cadastral, denominado de Sinergic.
Este sistema visa dotar o país duma base cadastral consentânea com os interesses e necessidades actuais da sociedade com vista a garantir o conhecimento dos limites e da titularidade da propriedade.
O principal objectivo do Sinergic é estabelecer a Informação Predial Única de modo a assegurar a identificação unívoca dos prédios, urbanos e rústicos, mediante a utilização de um número único de identificação do prédio comum a toda a administração pública.
São, ainda, objectivos do Sinergic: unificar, num único sistema de informação, os conteúdos cadastrais existentes e a produzir; permitir uma gestão uniforme e informática dos conteúdos cadastrais; garantir a sua compatibilidade com os sistemas informáticos utilizados pelas várias entidades envolvidas no projecto; integrar o registo predial em suporte gráfico conjunto, assegurando que a sua descrição é acompanhada de um suporte gráfico; possibilitar a utilização generalizada do sistema pela administração pública, aumentando a eficiência dos serviços prestados; garantir a privacidade e segurança dos dados; possuir uma plataforma tecnológica dirigida ao cidadão e permitir a igualdade de acesso à informação dos detentores de direito sobre a propriedade.
De realçar que ainda no âmbito desta projecto é também criado um sub-projecto denominado de Cadastro das Áreas de Floresta, com o objectivo de instituir, num prazo de três anos, um cadastro das áreas de floresta que assegure a cobertura das áreas públicas comunitárias e as áreas integradas em Zonas de Intervenção Florestal.
Na verdade este sistema vem colmatar uma lacuna existente, já que é sempre difícil saber o cadastro existente em cada município e também saber que floresta temos, de quem pertence…
Contudo, é desejável que este não seja mais um bom projecto a ficar no papel… que possa estar concretizado a curto prazo, e que não aconteça o mesmo que aconteceu com alguns projectos que quando concluídos já estavam desactualizados.
É importante não esquecer que um sistema de informação deste género requer uma contínua actualização, senão perde toda a sua operacionalidade e fica condenada ao fracasso!
P.S. Podem consultar o link para visualizar em formato PDF a informação mais detalhada acerca do mesmo, bem como alguns conceitos sobre cadastro de propriedades. Este ficheiro foi elaborado pelo Instituto Geográfico Português.

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

Portugal. Dicionário Geográfico de 1758 já está on-line

Para a quem possa interessar, saibam que já é possível aceder via Internet ao "Dicionário Geográfico" de 1758. Esta obra é composta por 44 volumes, tendo a sua digitalização sido requerida a pedido da Academia de Ciências de Lisboa.
Esta obra encontra-se guardada nos arquivos nacionais da Torre do Tombo e que contém os relatos de párocos acerca da destruição causada pelo terramoto de 1755.
Trata-se de uma primeira iniciativa que tem como objectivo dar a conhecer o património existente nos arquivos nacionais. De acordo com responsáveis pelo arquivo, mais importante que conservar os documentos é promover a sua difusão.
A obra agora digitalizada é de particular interesse para investigadores das áreas do ordenamento do território e cartografia, pois possui descrições bastante detalhadas das regiões e freguesias.
Até aqui as pessoas tinham de se deslocar aos Instituto e pedir a reprodução destes documentos, tarefa que agora fica mais facilitada com a sua disponibilização on-line, pelo que iniciativas destas são sempre bem vindas, para que o público em geral possa aceder a arquivos importantíssimos da história e geografia do nosso país... afinal de contas, não é so teorizar a questão do acesso à cultura é importante passar da teoria à pratica.

O site é: http://www.iantt.pt/

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo