terça-feira, Outubro 06, 2009

Blog sobre Paleocartografia

Olá a todos!
Há já algum tempo que não postamos aqui nada, e por isso pedimos desde já desculpa.
Infelizmente o tempo que temos nem sempre nos permite conjugar o rosto de escrever sobre a geografia e o nosso trabalho.
Não obstante, venho aqui hoje para vos dar a conhecer um blog interessante sobre Paleocartografia do Engenheiro cartografo Marco Antonio Perna, autor do texto que postamos anteriormente intitulado "O paleocartógrafo e o neogeógrafo"
Espero que gostem Paleocartografia by Marco Antonio Perna

Saudações geográficas
Liliana Azevedo

sexta-feira, Maio 01, 2009

O paleocartógrafo e o neogeógrafo

Deixo-vos aqui um pequeno texto que achei interessante sobre a profissão de Cartógrafo, Eng.º Geógrafo e Geógrafo e a sua relação com as novas tecnologias dos Sistemas de Informação geográfica. Peço desculpa por estar em brasileiro, mas resolvi postar o texto na íntegra.

O paleocartógrafo e o neogeógrafo

by Marco Antonio Perna (Engenheiro cartografo)

“A primeira vez que ouvi o termo Paleocartógrafo confesso que fiquei indignado, e senti que nossos colegas geógrafos também. Mas o tempo passou e refleti sobre o assunto e posso dizer com orgulho que sim, sou um Paleocartógrafo.
Para não me taxarem de louco, explico então. Paleo dá ideia de algo velho e ultrapassado, mas prefiro interpretar como algo antigo e muito bem embasado. Seguindo esse raciocínio posso afirmar com a maior certeza que um cartógrafo NUNCA será dispensável. Claro que não somos muito mais necessários hoje em dia do que 20 ou 30 anos atrás. Isso apesar da explosão do "geouso", do GPS e do georeferenciamento de tudo. Parece um contrasenso o aumento da demanda de "geo" e o não aumento proporcional de engenheiros cartógrafos utilizados. Precisamos notar que aumentou sim a necessidade do trabalho do engenheiro cartógrafo na produção de mapas, mas o que realmente sofreu um salto colossal foi a demanda por neogeógrafos.
No caso estou definindo neogeógrafos como aqueles profissionais que irão manipular e interpretar a informação geográfica. E eles são em sua maioria profissionais de nível superior, sejam eles biólogos, geólogos, médicos epidemiologistas, agrônomos, administradores de empresa (geomarketing), profissionais de educação e física, nutricionistas e muitos outros.
Eles não atuam no nicho do geógrafo, bem, pelo menos não a maioria. Ocorre que os geógrafos gostariam de abocanhar esse mercado, assim como nós gostaríamos que todos viessem pedir nossa benção e o datum da área. Mas o mundo mudou e o neogeógrafo veio para ficar e ele não precisa da gente para quase nada, pois os softwares atuais fazem todo o trabalho do cartógrafo. Claro que sempre vai ser necessário o profissional de cartografia nas empresas produtoras desses softwares, pena que a maioria, senão todas, estão lá fora.
O geógrafo precisa fortalecer-se nas suas áreas de atuação dominantes e se infiltrar nessas novas áreas. Já o cartógrafo também pode entrar na briga, porém ele se tornará um neogeógrafo...
Qualquer outro profissional que se intitule neogeógrafo e não tenha nível superior não passa de um profissional de nível técnico, embora alguns poucos possam transcender.
Outro profissional que surgiu é o neocartógrafo. Esse sim cheio de si e desmerecendo o engenheiro cartógrafo, pois acham que por saberem programar computadores e geometria eles estão com a vida ganha. Não sei na verdade quanto tempo isso vai durar, mas tenho a sensação de que vão quebrar a cara. Os softwares evoluem, o hardware também, logo, logo o que eles fazem vai ficar obsoleto e eles não terão diferencial para qualquer analista de sistemas. Já o paleocartógrafo sempre será necessário no preparo das bases cartográficas. O nosso mercado é pequeno e cresce muito menos, mas pelo menos estamos garantidos.
Ouvi essa semana o termo analista de geoprocessamento e quem comentou falou que seria um novo profissional. Aí fiquei triste... Na década de 1990 eu me apresentava como analista de geoprocessamento e realmente eu era. Afinal, sou engenheiro cartógrafo de formação, com mestrado em sistemas e computação, ênfase em cartografia automatizada e minha vida toda trabalhei com informática, sendo que meu cargo é analista de sistemas. Sempre me vi no meio do caminho, exatamente a definição de analista de geoprocessamento e posso garantir que ainda somos raros, pois os que estão por aí sempre pendem mais para um lado.”

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

domingo, Março 08, 2009

EPIPRU 2009 - 2º Encontro português de jovens investigadores na área do planeamento regional e urbano


Irá decorrer no dia 14 de Maio, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, o 2º Encontro português de jovens investigadores na área do planeamento regional e urbano.
Este encontro é especialmente dirigido a investigadores júnior de todas as formações relacionadas com o planeamento regional e urbano e pretende colmatar a ausência de espaços de partilha de experiências de investigação na área em Portugal. O encontro é vocacionado não só para investigadores que se encontram numa fase intermédia da sua tese de doutoramento, mas também para investigadores em fase inicial de trabalho do seu doutoramento.
As submissões para apresentação dos trabalhos dos investigadores decorrem até ao dia 15 de Abril, sendo que a mesma deverá descrever a investigação em curso, apresentando a temática, os seus objectivos e metodologia, e deverá ser anexado à ficha de inscrição com os dados de identificação necessários.
Para mais informações sobre como submeter os textos e sobre o encontro aceda ao Website do encontro do grupo de Jovens Investigadores em Planeamento Regional e Urbano

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

Investigadores portugueses procuram alternativa aos esporões


Uma equipa multidisciplinar de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) está desenvolver um sistema inovador de protecção da costa nacional, com estruturas submersas que permitem criar recifes artificiais e a rebentação de ondas adequadas à prática de surf.
Os investigadores começaram por desenvolver uma estrutura computacional adequada para a propagação de ondas e simulação dos efeitos de refracção, empolamento e rebentação das ondas sendo que o projecto em si, consiste na colocação de estruturas submersas junto à costa, cujo material é em geotêxtil, que permite fixar plantas, transformando a zona num recife artificial atractivo para os peixes e propícias à criação de outros ecossistemas marinhos capazes de provocar o rebentamento das ondas mais longe da costa.
Este tipo de estruturas de protecção e valorização da costa tem bons exemplos de aplicação na Nova Zelândia e na costa Este da Austrália, onde uma zona bastante degradada deu lugar a um local procurado para campeonatos mundiais de surf.
Segundo Antunes do Carmo, coordenador do projecto, “a onda rebenta na massa de água, chegando à protecção dunar com um potencial energético muitíssimo reduzido, e é provocada uma rotação que lhe dá características para a prática de surf”. Antunes do Carmo referiu ainda que a solução em estudo surge em alternativa aos esporões, típicos na protecção da costa portuguesa, mas que têm consequências ambientais gravosas, porque ao reter as areias na vertente Norte provocam erosões a Sul. Criticou ainda o facto de a costa portuguesa ter um manancial de oportunidades que não têm sido aproveitadas e tem sido alvo de remendos para resolver, à pressa, problemas imediatos (de protecção)”, sendo que para ele o problema da costa portuguesa advém da falta de um desenvolvimento integrado, havendo demasiadas entidades a intervir na zona costeira, sendo que é necessário haver uma entidade gestora única, para não se promoverem interesses locais.
Por fim, Antunes do Carmo alertou ainda para o impacto que a previsível subida do nível do mar terá na costa portuguesa, caso não sejam tomadas medidas rápidas de prevenção e reabilitação das zonas mais degradadas.
Este projecto, a ser concretizado, poderá ser uma boa noticia para o ordenamento da costa portuguesa e para a resolução de muitos problemas que tem surgido todos os anos, e que já provaram que os esporões não resolvem o problema, apenas o adiam trazendo posteriormente consequências danosas.

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

sábado, Março 07, 2009

Florestas africanas estão a armazenar mais CO2


As florestas de África estão a armazenar cada vez mais dióxido de carbono, tal como a Amazónia, revelou um estudo publicado no mês passado na revista Nature.
Uma rede de 79 laboratórios instalada em dez países africanos permitiu mostrar que, no período entre 1968 e 2007, a absorção de CO2 das árvores desta região cresceu na mesma proporção da registada pela floresta Amazónia, isto é 0,63 toneladas por hectare, por ano.
As árvores absorvem carbono através da fotossíntese e rejeitam-no através da respiração e pela decomposição de folhas e raízes. Contudo, pelo meio, armazenam uma parte de CO2, razão pela qual as florestas são verdadeiros “poços” de carbono.
Segundo os investigadores que realizaram este estudo, as florestas tropicais africanas fornecem um ecossistema importante, reduzindo a taxa de crescimento de CO2 para a atmosfera, o que cada vez mis se torna importante protegê-las.

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

Universidade de Aveiro lança Courseware educativo que dá a conhecer a importância dos Recursos Naturais



A Universidade de Aveiro lançou, no dia 26 de Fevereiro, um software educativo pioneiro no país, sobre a problemática dos recursos naturais.

Este Software, denominado de «Courseware Sere - O Ser Humano e os Recursos Naturais» é o resultado do trabalho que uma equipa multidisciplinar de investigadores do Departamento de Didáctica e Tecnologia Educativa da UA, em parceria com a Ludomedia - Conteúdos Didácticos e Lúdicos, desenvolveu para dar resposta à falta de recursos didácticos informatizados de qualidade para o 1º e 2º Ciclos do Ensino Básico (1º/2ºCEB), concebidos no âmbito da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS).
A partir de várias tipologias de software (simulações, visualizações, …) e actividades didácticas especificadas em guiões de exploração, tanto para o professor como para o aluno, este recurso didáctico permite promover a compreensão e análise do impacte que a actividade humana tem nos recursos naturais e consciencializar de que o futuro da Humanidade passará pela adopção de atitudes e comportamentos mais conscientes e responsáveis, nomeadamente no que respeita às fontes de energia utilizadas.
O Courseware Sere é um exemplo concretizado do tipo de recursos que a UNESCO defende ser fundamental apostar na reorganização de práticas educativas, promotoras de abordagens das problemáticas actuais e assentes em perspectivas interdisciplinares, no âmbito da Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS).

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

quarta-feira, Fevereiro 18, 2009

ESRI anuncia o lançamento duma versão especial do ArcGIS para resposta a emergências


Com o objectivo de suprimir a necessidade das organizações de segurança pública e gestão de emergências, a ESRI anunciou o lançamento do ArcGIS for Situational Awareness.
Esta é uma solução que inclui um conjunto de hardware, software e dados geográficos que constitui uma ferramenta completa de inteligência geográfica e tomada de decisão, com acesso em tempo real a informações precisas sobre operações e eventos.
Com este software as organizações podem integrar bases de dados complexas e de fontes
diversas, incluindo feeds GeoRSS, informações de câmaras de tráfego e dados meteorológicos, integrando-os com a cartografia existente.
O ArcGIS for Situational Awareness inclui as seguintes ferramentas:
  • Data Fusion & Analysis Appliance, pré-configurado no ArcGIS;
  • Data Appliance, com terabytes de dados geográficos globais, como imagens de satélites e mapas digitais;
  • Common Operational Picture (COP) Viewer, um sistem de busca de mapas 2D;
  • 3D Desktop, um cliente para visualizar, analisar e compartilhar informação geográfica;
  • Data Management & Authoring, para gestão de dados segundo os padrões OGC, incluindo WMS, WFS ou KML.


Por enquanto apenas está disponível nos Estados Unidos, não obstante, constitui um programa bastante útil e importante para que futuramente seja mais fácil agir em situações reais de emergência e de perigo.


Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

Bibliografia online gratuita sobre SIG’s e Geografia na ESRI


No site da ESRI, destinada à aprendizagem de todo o software ESRI, estão alojados mais de 75 mil trabalhos relacionados com a temática, incluindo livros e publicações académicas. Com este acervo, a ESRI – educação, torna-se num dos maiores centros de reposição de informações sobre a tecnologia GIS.
A colecção tem referências de mais de mil fontes, especialmente jornais, revistas
e livros. Além disso, a bibliografia também contém arquivos de artigos, teses, materiais de conferências, entre outros, todos eles em formato pdf.
Um bom site para todos aqueles que estão a iniciar-se nos SIG’s – aqui! (em inglês)

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

Autodesk anuncia novas versões de softwares para desenho e modelagem em projectos de infra-estrutura

No início deste mês a Autodesk anunciou novos produtos para desenho e modelagem em projectos de infra-estrutura.
Foram apresentadas as novas versões dos programas AutoCAD Map 3D, AutoCAD Raster Design, Autodesk MapGuide Enterprise e Autodesk Topobase, que fornece aos utilizadores ferramentas para desenho, visualização, simulação, análise de projectos.
Segundo a Autodesk, com o uso das ferramentas de modelagem é possível agregar múltiplas fontes de dados, de CAD, GIS e 3D, tanto para melhorar projectos como para manipular de forma mais eficiente obras já construídas.
O AutoCAD Map 3D cria e manipula dados geoespaciais. Com a tecnologia de código aberto Feature Data Object (FDO) para acesso a dados, fornece acesso directo aos principais formatos de dados usados em CAD e geoprocessamento. A versão 2010 traz mais opções para importação de dados de campo, capacidades adicionais de análise espacial e uma nova interface com o utilizador.
O AutoCAD Raster Design estende as funcionalidades dos produtos baseados no AutoCAD para que os utilizadores possam usar desenhos em papel, mapas, imagens de satélite e fotos aéreas sem necessariamente possuir o projecto em arquivo digital. A ferramenta permite transformar imagens raster em dados vectoriais, que podem então ser incorporados em outros projectos e modelos. Essa versão inclui a compatibilidade com outros produtos como AutoCAD P&ID, AutoCAD Civil e Autodesk Topobase.
O Autodesk MapGuide Enterprise serve para publicação de dados CAD e GIS através da Internet. A nova versão oferece re-projecção raster e compatibilidade com Microsoft SQL Server 2008 e GE Energy Smallworld. Além disso, o ambiente de criação Autodesk MapGuide Studio 2010 será oferecido gratuitamente para os utilizadors do Autodesk MapGuide Enterprise.
O Autodesk Topobase é um software para manipulação de modelos de infra-estrutura, que fornece uma ferramenta de trabalho em rede para manutenção, planeamento, criação de relatórios e integração durante a execução de empreendimentos. Baseado nos sofwares AutoCAD Map 3D e Autodesk MapGuide, o Topobase é uma solução aberta com o objectivo de aumentar a produtividade e optimizar recursos em grandes projectos.

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

sexta-feira, Fevereiro 13, 2009

Chegamos às 10000 visitas. Obrigado a todos

Atingimos as 10000 visitas. Visitas essas de vários pontos do globo, sendo que a maioria, como seria de esperar, vêm de Portugal e do Brasil.

  • Portugal – 51,3%
  • Brasil – 41,9%
  • África – 2,0%
  • Europa – 1,1%
  • Estados Unidos da América – 0,9%
  • Indefinidos – 2,2%
  • Outros Países – 0,7%

Por isso mesmo, agradecemos a todos os que visitaram este blog, àqueles que aqui fizeram os seus comentários, prometendo que iremos dispor mais do nosso pouco tempo, para postar mais pensamentos, esperando que ele possa contribuir para o enriquecimento geral de quem, eventualmente, o venha a ler.
Bem hajam a todos.

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo

quinta-feira, Fevereiro 12, 2009

Museu da Água - Será museu ou não?


Talvez este post, à primeira vista, pode não ter nada a haver como que aqui se pretende “discutir”, não obstante resolvi escreve-lo…
Foi anunciado esta semana que o Museu da Água de Coimbra, em funcionamento há dois anos, foi o único espaço museológico português nomeado pelo European Museum Forum (EMF) para o Prémio de Melhor Museu Europeu do Ano.
Este prémio anual do EMF, organização não governamental inglesa, que é atribuído desde 1977 para distinguir os museus que mais se salientam na sua criatividade e relacionamento com o público, será anunciado em Maio, na Turquia. Este galardão tem por objectivo premiar novos museus, com dois ou três anos de actividade, ou museus antigos que se apresentam totalmente renovados e que se tenham salientado pela capacidade inovadora de se relacionarem com a comunidade envolvente, de preservarem as memórias e de promoverem uma missão educacional junto dos mais novos.
Em 2008, o prémio do EMF foi atribuído ao Kumu Art Museum, na Estónia, que entrou na galeria de museus europeus contemplados com aquela distinção, onde se destacam o Museu Olímpico de Lausanne ou o Guggennheim de Bilbao.
Ora esta distinção fez-me sentir orgulho na minha cidade e no meu país. Porque se provou que mais uma vez que Portugal também sabe fazer coisas boas. Não obstante, este anúncio também suscitou algumas criticas, nomeadamente porque algumas pessoas considerarem que o Museu da água não é um museu.
Ora então vejamos, no Artigo 2.º, do Capítulo I da Lei-quadro dos Museus Portugueses (Lei nº 47/2004, de 19 de Agosto), a política museológica deve obedecer a alguns princípios, nomeadamente:
“b) Princípio da promoção da cidadania responsável, através da valorização da pessoa, para a qual os museus constituem instrumentos indispensáveis no domínio da fruição e criação cultural, estimulando o empenhamento de todos os cidadãos na sua salvaguarda, enriquecimento e divulgação;
c) Princípio de serviço público, através da afirmação dos museus como instituições abertas à sociedade;
d) Princípio da coordenação, através de medidas concertadas no âmbito da criação e qualificação de museus, de forma articulada com outras políticas culturais e com as políticas da educação, da ciência, do ordenamento do território, do ambiente e do turismo;
e) Princípio da transversalidade, através da utilização integrada de recursos nacionais, regionais e locais, de forma a corresponder e abranger a diversidade administrativa, geográfica e temática da realidade museológica portuguesa;
g) Princípio da supervisão, através da identificação e estímulo de processos que configurem boas práticas museológicas, de acções promotoras da qualificação e bom funcionamento dos museus e de medidas impeditivas da destruição, perda ou deterioração dos bens culturais neles incorporados;
h) Princípio de descentralização, através da valorização dos museus municipais e do respectivo papel no acesso à cultura, aumentando e diversificando a frequência e a participação dos públicos e promovendo a correcção de assimetrias neste domínio;”

No artigo 3.º, do mesmo capitulo Museu é definido como uma “instituição de carácter permanente, com ou sem personalidade jurídica, sem fins lucrativos, dotada de uma estrutura organizacional”. Esta instituição permite “garantir um destino unitário a um conjunto de bens culturais e valorizá-los através da investigação, incorporação, inventário, documentação, conservação, interpretação, exposição e divulgação, com objectivos científicos, educativos e lúdicos e Facultar acesso regular ao público e fomentar a democratização da cultura, a promoção da pessoa e o desenvolvimento da sociedade.”
São ainda considerados museus todas as instituições, que “apresentem as características e cumpram as funções museológicas previstas na presente lei para o museu, ainda que o respectivo acervo integre espécies vivas, tanto botânicas como zoológicas, testemunhos resultantes da materialização de ideias, representações de realidades existentes ou virtuais, assim como bens de património cultural imóvel, ambiental e paisagístico.”

No artigo 42.º, da mesma lei, um museu “desenvolve de forma sistemática programas de mediação cultural e actividades educativas que contribuam para o acesso ao património cultural e às manifestações culturais”, “promove a função educativa no respeito pela diversidade cultural tendo em vista a educação permanente, a participação da comunidade, o aumento e a diversificação dos públicos.”

O museu da água, tendo em conta todas as suas características, dedica-se ao Universo da água, um recurso, que não sendo nem arqueológico nem histórico, é talvez o nosso maior e melhor recurso que temos, promovendo por isso o Princípio da promoção da cidadania responsável e o Princípio de serviço público.
Por outro lado, sendo ele um espaço que guarda memórias, peças provenientes do serviço do abastecimento de água, desde ferramentas, canalizações, contadores, aparelhos, instrumentos vários, logo promove o principio da supervisão, pois permite que não se deteriorem os bens culturais neles incorporados.
Além disso, segundo o conceito de museu, também este museu garante um destino unitário a um conjunto de bens culturais e valoriza-os através da investigação, incorporação, inventário, documentação, conservação, interpretação, exposição e divulgação, com objectivos científicos, educativos e lúdicos, através da realização de exposições, instalações artísticas, conferências, workshops e momentos musicais.
Por último, o museu da água contempla um acervo integre de bens de património cultural movél (a antiga estação elevatória, parque Manuel Braga), imóvel (passeios no rio a bordo de uma antiga e pitoresca barca serrana) ambiental (ensina a valorizar as questões ambientais e, em especial, o recurso água e paisagístico (toda a sua envolvência encerra no rio Mondego).
Posto tudo isto, será que ainda existam dúvidas de que o Museu da água é efectivamente um Museu? Será que existe gente tão céptica ao ponto de achar que este belo espaço não será também um museu?

Para quem dúvida faço um convite para visitar este espaço: Fica no parque Dr. Manuel Braga, em Coimbra e está aberto das 10h00 às 13h00 e das 14h00 até às 18h00, encerrando à Segunda-feira

Saudações Geográficas
Liliana Azevedo